Por Chiara Lombardi — Em um gesto que parece retirado de um roteiro onde a realidade e a memória se confundem, Alfonso Ribeiro publicou uma imagem dilacerante em suas redes sociais: ele e James Van Der Beek abraçados no leito de um hospice, poucos minutos antes do adeus final. A foto, feita pela esposa do ator, Kimberly, tornou-se o eco de um fim de cena que fala sobre amizade, fragilidade e o peso público do sofrimento privado.
Ribeiro descreveu Van Der Beek como “meu verdadeiro amigo, irmão e guia de vida” ao comunicar a perda, ocorrida na quarta‑feira, 11 de fevereiro, após uma batalha de dois anos contra um câncer coloreto. Segundo o post, a convivência durante a doença foi uma montanha‑russa emocional: momentos em que parecia haver vitória alternaram com recaídas dolorosas. O ator ressaltou que aprendeu profundamente com James e com Kimberly, agradecendo pelo impacto na sua própria família e prometendo proteger o futuro das crianças do casal.
Última imagem e um pedido coletivo
A foto, contou Ribeiro, foi capturada por Kimberly “poucos minutos antes” do último adeus — um registro íntimo de dois amigos num quarto que, para além da dor, passou a representar também um espaço de escolha: Van Der Beek teria preferido paz nas semanas finais, estando em cuidados paliativos porque “não havia mais o que os médicos pudessem fazer”, informou uma fonte ao Daily Mail.
A família, descreve a fonte, viveu a dificuldade de ver alguém tão carismático enfraquecer; hoje, parte do fardo financeiro e emocional repousa sobre Kimberly. Em resposta, Ribeiro compartilhou uma chamada para ajudar através de uma campanha no GoFundMe, criada pela viúva para cobrir despesas essenciais, contas e a educação dos filhos — Olivia, Joshua, Annabel, Emilia, Gwendolyne e Jeremiah.
O apelo encontrou eco em Hollywood: doações destacadas elevaram o total para mais de US$ 2,1 milhões, entre elas US$ 25 mil de Steven Spielberg, contribuições recorrentes de Zoë Saldana (US$ 2.500 mensais) e doações de US$ 10 mil de John M. Chue e Guy Oseary. Mensagens de homenagem se multiplicaram nas redes, transformando o luto íntimo em um memorial coletivo.
O que essa cena nos diz
Como analista cultural, reconheço nessa sequência final — a foto, o leito, os amigos reunidos — uma pequena mise en scène que diz muito sobre nosso tempo. A figura pública, que historicamente funcionava como personagem numa narrativa distanciada, hoje volta ao primeiro plano da vulnerabilidade. O tumor e o hospice são, nesse sentido, parte de um roteiro oculto: mostram que a celebridade também envelhece, adoecem e morrem em público, e que o público contemporâneo responde não só com curiosidade, mas com solidariedade prática.
Essa história, com sua tensão entre exposição e intimidade, atua como um espelho do nosso tempo — refletindo medos sobre saúde, dívidas médicas e a economia do cuidado. E nos lembra, mais que as homenagens públicas, da necessidade de redes concretas de apoio para famílias atravessando o fim de vidas amadas.
O gesto final de Alfonso Ribeiro — querer fazer James Van Der Beek rir uma última vez — permanece como uma imagem potente: o riso como resistência, o afeto como narrativa que se recusa a se dissolver por completo. É um capítulo sensível no livro público das celebridades, que convida à reflexão sobre o que celebramos e como assistimos à fragilidade humana.





















