Em uma conversa sincera no programa Ciao Maschio, apresentado por Nunzia De Girolamo, o ator Alessio Vassallo abriu uma janela íntima sobre episódios que moldaram sua vida — do silêncio protetor da infância ao confronto com uma dependência que quase sabotou o seu sucesso. A entrevista vai ao ar no sábado, 31 de janeiro, às 17:05, pela Rai1.
Vassallo recorda que o silêncio o acompanhou durante toda a escolaridade: não por falta de palavras, mas como um refúgio diante de um ambiente difícil. “Eu era um menino muito silencioso”, disse ele, traçando a paisagem afetiva de casa onde amava os pais, embora tivesse percebido as suas fricções. Nesse contexto, o silêncio funcionava tanto como proteção quanto como preservação — uma escolha defensiva diante do que a infância lhe impunha.
Ao falar sobre o bullying, o ator foi preciso: a violência não se resumiu a agressões físicas ou a trotes comuns, mas à exclusão. “Penso di averlo subito perché ero diverso, forse fin troppo sensibile”, explicou, sugerindo que a hipersensibilidade social pode ser vista como um desvio num grupo que exige adaptação por meio da imposição. A dor de não ser convidado para uma partida ou para uma festa, ponderou, muitas vezes supera um tapa — é a ferida silenciosa da rejeição.
O tom da conversa se adensa quando Vassallo aborda a sua trajetória de dependência do jogo. Curiosamente, a crise aconteceu em momentos de glória profissional: “Paradossalmente in momenti bellissimi di lavoro e di successo tendevo ad autosabotarmi”, confessou. A dependência apareceu como uma forma de auto-sabotagem, um roteiro oculto que ameaça o desempenho e a estabilidade emocional justamente quando tudo parece mais brilhante.
A virada, porém, é parte essencial da narrativa: a recuperação passou por um passo simples e decisivo — pedir ajuda. “Ne sono uscito anche con l’aiuto, perché bisogna chiedere aiuto quando si inciampa. Io ho chiesto aiuto”, afirmou Vassallo. Ele descreve essa etapa como a “partita più importante” que jogou e, sobretudo, venceu. É uma metáfora esportiva que reverbera como um arquétipo de reinvenção: a vitória sobre si mesmo.
Por fim, o ator oferece uma reflexão madura sobre afetos e responsabilidades: o risco afetivo também foi uma área de aposta imprudente quando jovem. Crescer, segundo ele, traz a percepção da urgência em assumir responsabilidades, sobretudo nas relações emocionais — uma lição que ecoa além do indivíduo, como um espelho do nosso tempo em que a fragilidade emocional muitas vezes é mascarada pelo espetáculo.
Essa entrevista funciona como um pequeno estudo de caso sobre como traumas privados reverberam no espaço público do trabalho artístico: a história de Alessio Vassallo não é apenas um depoimento pessoal, mas um sinal cultural — a semiótica do viral, o roteiro oculto da sociedade que transforma silêncios em narrativas. Ver artistas relatarem fragilidades é, talvez, um convite para reconfigurarmos o olhar coletivo sobre sucesso, vulnerabilidade e responsabilidade.





















