Por Chiara Lombardi — Em uma leitura que mistura cortesia institucional e sensibilidade artística, Alessandro Gassmann rompeu o silêncio sobre sua não participação no Festival di Sanremo para evitar mal-entendidos que circularam nas redes. Longe de transformar sua ausência em conflito público, o ator preferiu sublinhar admiração e respeito por quem pisou no palco.
Gassmann deixou claro que não guarda ressentimentos em relação a Gianni Morandi e à emocionante apresentação com seu filho: “A exibição foi tocante, Gianni é um artista extraordinário e a performance de seu filho me emocionou”, afirmou, reiterando que já havia expresso esse reconhecimento anteriormente. A declaração funciona como um espelho do nosso tempo: antes que o rumor viralizasse, escolheu-se a delicadeza do elogio para reconfigurar o debate.
Sobre as razões reais de sua ausência, o ator explicou que a intenção inicial era comparecer apenas para promover a série da Rai Guerrieri, da qual se diz muito orgulhoso e que considera de alta qualidade. Segundo Gassmann, a participação foi proposta pela emissora porque Sanremo é a vitrine ideal para o lançamento de um produto televisivo. No entanto, depois foi informado de que uma “regra” impediria sua presença por conta da ligação familiar com um cantor em competição.
“Não me auto-convidaria ao Festival: sempre tive um misto de reverência e temor por aquele palco”, confessou, traçando a paisagem íntima de quem sabe que a aparição pública tem seu próprio roteiro. A narrativa do equívoco — e sua retirada de um post que gerou repercussão — mostra como, na semiótica do viral, pequenas ambiguidades se ampliam se não forem rapidamente reinterpretadas.
Na conferência de imprensa, o diretor artístico Carlo Conti tentou desfazer o mal-entendido: afirmou que o regulamento do Festival não proíbe parentes de subirem ao palco e citou diversos exemplos, como a presença da mãe de Sayf e da filha de Raf em outros anos. Conti ressaltou ainda que, se Gassmann tivesse pedido para duetar com Leo, teria sido um “sim” imediato: “Subito, tutta la vita”, disse, com a cordialidade que costuma acompanhar decisões curatoriais — e que às vezes contrasta com a lógica do palco e da grade de programação.
Conti explicou também que a escolha editorial daquele ano foi não convidar protagonistas das muitas fiction Rai em exibição, optando por outras formas de promoção dentro da programação. “Houve um equívoco — aconteceu também com Argentero”, observou, buscando transformar um incidente em ajuste de expectativa.
Gassmann fechou a sua posição com um gesto positivo: desejou boa sorte aos concorrentes e apoio aos apresentadores e jurados, entre eles a muito elogiada Laura Pausini, e lembrou que a série Guerrieri estreia na segunda-feira 9 na Raiuno. Em tom de crítica sutil e gratidão, a situação revela como festivais tão simbólicos são ao mesmo tempo vitrines e cenários de transformação, onde decisões institucionais ecoam no imaginário coletivo.
Este episódio, portanto, é mais do que uma nota de bastidor: é um pequeno estudo sobre como o entretenimento negocia parentesco, regras e representação — um verdadeiro reframe da realidade midiática contemporânea.






















