Por Chiara Lombardi — Em uma entrevista que mistura coragem e reflexão, a atriz Alessandra Martines falou pela primeira vez em público sobre a dura batalha que sua filha enfrentou contra um tumor. Em conversa no programa Verissimo, Martines contou detalhes do diagnóstico, dos tratamentos e da transformação pessoal que se seguiu.
Martines, hoje com 62 anos e mãe também de Hugo (nascido em 2012), explicou que sua filha Stella, nascida em 1998, começou a sofrer com sintomas que, inicialmente, foram interpretados como uma mononucleose — um erro diagnóstico que, segundo a atriz, fez com que se perdesse um tempo precioso. Só depois veio a confirmação: tratava‑se de linfoma de Hodgkin.
“Le foi diagnosticato il linfoma di Hodgkin. Abbiamo affrontato la chemioterapia e la radioterapia. Sono delle prove tostissime”, recordou Martines sobre os meses em que a família viveu entre hospitais e incertezas. Stella enfrentou a doença aos 21 anos — uma idade em que se espera que a vida esteja apenas começando a se desdobrar. “La paura era sempre presente. Dentro di te hai paura che tua figlia possa morire”, confidou a atriz, descrevendo um túnel emocional que muitos parentes de pacientes reconhecem.
Hoje, porém, a narrativa ganhou outro capítulo. Segundo Martines, a doença está em remissão total. Mas a cicatriz da experiência não foi apenas física: ela alterou escolhas e trajetórias. Após o tratamento, Stella se aproximou da fé, abandonou tudo que tinha relação com o mundo do espetáculo e decidiu direcionar seus estudos para a teologia. É uma mudança que, na leitura da atriz, representa tanto um recomeço quanto um reframe existencial — uma busca por sentido que brota de um atravessamento liminar.
Como observadora do zeitgeist, parece relevante notar que essa história opera como um espelho do nosso tempo: o enfrentamento da doença não é apenas uma sequência de procedimentos médicos, mas um roteiro oculto de transformação pessoal que questiona ambições públicas e redesenha laços privados. A passagem do palco para a busca teológica é, aqui, mais do que uma volta contra o espetáculo; é um gesto de reorientação que ilumina a complexa relação entre vulnerabilidade, fé e identidade.
Martines não apresentou sensacionalismo. Falou com a sobriedade de quem testemunhou o fragor do sofrimento e a serenidade de quem hoje observa a filha reconstruir a vida. A entrevista no Verissimo foi um convite ao silêncio reflexivo: a doença como ruptura e também como possibilidade de reencontro.
Em tempos em que a exposição pública frequentemente transforma dramas pessoais em manchetes fugazes, a história de Stella e de sua mãe oferece um reframe — um cenário de transformação que convida o espectador a olhar além da superfície e a perceber o teatro íntimo da resiliência humana.
© Espresso Italia. Chiara Lombardi assina a coluna de cultura pop, comportamento e impacto social.
















