Al Bano, em entrevista longa ao Corriere della Sera, desferiu críticas diretas ao diretor artístico do Festival de Sanremo e comentou com franqueza episódios pessoais que marcaram sua carreira e vida afetiva. O cantor de Cellino San Marco reiterou que considera o capítulo do Festival encerrado para ele e explicou os motivos com a mesma clareza de quem dirige um projeto com foco e precisão.
Depois de quinze participações, Al Bano afirma ter dado a palavra final: “Em 2017 me expulsaram na primeira noite, tinha uma canção maravilhosa. Agora basta, não proponho mais nada”. A ferida tem nome e endereço: o apresentador e diretor artístico Carlo Conti. “Dele recebi apenas scorrettezze, mas paciência, a raiva não faz bem. Não temos um bom relacionamento, porém, como sofro de sanremite aguda, vou assistir ao festival e lhe desejo um enorme sucesso. Sou um Rei, não me misturo com simples Conti”, disse, numa alfinetada que joga com as palavras como quem ajusta a calibragem fina de um motor.
As declarações de Al Bano não pouparam também comentários sobre sua ex-parceira artístico-pessoal, Romina Power, que recentemente disse no podcast de Alessandro Cattelan que a canção “Felicità” lhe pareceu “banal” e que não a queria gravar. Romina tentou depois atenuar: etimologicamente “banal” seria apenas “comum”.
“Melhor eu ficar calado. Ingrata? Bem, é como cuspir no prato onde se come. Ela ganhou muito dinheiro, graças a mim. Ter músicas assim é raro. Foi minha resposta àqueles colegas que, nos anos das Br, olhavam para aquele estado de coisas”, rebateu o cantor, defendendo o valor histórico e emocional da canção que atravessou gerações.
Sobre a vida privada, Al Bano revisitou memórias do relacionamento com Romina Power e falou da família dela: “Quando me juntei a ela, na família dela a palavra ‘divórcio’ era normal. Pensei: ‘Vai durar dois ou três anos’. Mas não queria perder nem um dia daquela vida extraordinária”. Reconhece o amor que existiu, mas pondera: “Chamá-lo de amor hoje já é outra história”.
O cantor também recordou a retomada emocional que encontrou em Loredana Lecciso. “Nostalgia? Aqueles anos passaram, bonitos e trágicos. Não tenho tempo para nostalgia. Estava sozinho e depois reencontrei a primavera. Para mim, a vida recomeçou com Loredana e dura há 25 anos”, afirmou, com a serenidade de quem calibrou prioridades.
Em tom mais leve, falou do chapéu que se tornou marca registrada: “Uso sempre o chapéu desde que comecei a perder cabelo. Também meu pai usava. É um símbolo. Pintei o cabelo? Sim, pinto. Não tenho nada a esconder. Não suporto o branco no meu rosto, me incomoda”.
Como estrategista que lê cenários, Al Bano fecha a entrevista reafirmando escolhas de imagem, carreira e dignidade artística. Suas críticas a Carlo Conti e a observações sobre Romina Power reacendem discussões sobre respeito institucional e memória cultural — peças-chave em qualquer palco que se considere a vitrine da canção italiana. Em linguagem firme, polida e direta, o artista sugere que, quando o design de políticas culturais falha, o motor da reputação roda com atrito.
O episódio deixa clara uma lição prática: reputação e relações públicas exigem manutenção constante — como a calibragem de um motor de alto desempenho — e, quando se rompem, a melhor resposta pode ser manter o próprio rumo com elegância e firmeza.




















