Antonio Salandra foi uma figura central da política italiana no início do século XX e desempenhou papel decisivo na entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial. Como primeiro-ministro entre 1914 e 1916, coube a ele conduzir um dos períodos mais delicados da história do país, marcado por intensos debates internos, negociações diplomáticas complexas e a escolha estratégica de romper a neutralidade para ingressar no conflito ao lado da Tríplice Entente.
Formação e trajetória política
Antonio Salandra nasceu em 1853, na região da Puglia, no sul da Itália. Formado em Direito, construiu sua carreira como jurista, professor universitário e, posteriormente, político. Antes de assumir o cargo de primeiro-ministro, já havia ocupado ministérios importantes, como o Ministério das Finanças, destacando-se por sua postura conservadora e por sua defesa da autoridade do Estado.
Salandra fazia parte da elite política liberal que governava a Itália desde a unificação, grupo caracterizado por pragmatismo institucional, mas também por distanciamento das massas populares.
A Itália e a neutralidade inicial
Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1914, a Itália fazia parte da Tríplice Aliança, ao lado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro. No entanto, Salandra optou inicialmente pela neutralidade, argumentando que o tratado era de caráter defensivo e que a Áustria-Hungria havia iniciado o conflito sem consultar Roma.
Essa neutralidade, porém, foi entendida por Salandra não como uma posição definitiva, mas como uma oportunidade estratégica para negociar vantagens territoriais e políticas para a Itália.
O intervencionismo e o Tratado de Londres
Convencido de que a guerra poderia representar uma ocasião histórica para completar a unificação italiana especialmente com a incorporação de territórios sob domínio austro-húngaro Salandra passou a defender a entrada no conflito ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia).
Em abril de 1915, seu governo assinou secretamente o Tratado de Londres, no qual as potências aliadas prometeram à Itália ganhos territoriais significativos em troca de sua participação na guerra. Entre as promessas estavam regiões como o Trentino-Alto Ádige, Trieste e partes da Ístria.
A decisão foi tomada sem amplo debate parlamentar, o que gerou forte oposição interna e aprofundou divisões políticas e sociais no país.
Entrada na guerra e consequências políticas
Em maio de 1915, a Itália declarou guerra ao Império Austro-Húngaro, dando início a uma campanha militar longa, custosa e marcada por enormes perdas humanas. Embora Salandra tenha defendido a decisão como um ato de necessidade histórica e estratégica, os primeiros resultados no campo de batalha foram limitados e sangrentos.
A condução da guerra, somada às dificuldades econômicas e à insatisfação popular, enfraqueceu seu governo. Em 1916, após críticas crescentes e crises parlamentares, Antonio Salandra deixou o cargo de primeiro-ministro.
Legado e avaliação histórica
Antonio Salandra é lembrado como o político que conduziu a Itália à Primeira Guerra Mundial por meio de uma diplomacia calculada e controversa. Para alguns historiadores, sua decisão representou uma tentativa pragmática de afirmar a Itália como potência europeia; para outros, foi uma escolha que expôs o país a um conflito para o qual não estava plenamente preparado.
Seu legado permanece ligado ao Tratado de Londres e à ruptura da neutralidade italiana — um ponto de inflexão que redefiniu o papel da Itália no cenário internacional e moldou profundamente sua história política e social nas décadas seguintes.























