A Itália figura no imaginário global como um destino de viagens idílicas, mas as estatísticas de trânsito revelam um cenário que exige cautela. O país apresenta uma taxa de mortalidade nas estradas de 5,4 por 100.000 habitantes, um dos índices mais elevados do continente europeu. Roma, a capital, é frequentemente citada como uma das cidades com maior incidência de acidentes urbanos na Europa.
Para turistas que pretendem alugar veículos, o desconhecimento das regras locais e das dinâmicas culturais de direção pode resultar em multas pesadas ou, em casos mais graves, acidentes.
1. Legislação e Documentação Obrigatória
A condução na Itália exige rigor documental. Cidadãos de Estados-membros da União Europeia podem utilizar suas habilitações de origem. Já condutores de fora do bloco incluindo brasileiros devem portar obrigatoriamente a Permissão Internacional para Dirigir (PID) acompanhada da carteira de habilitação válida do país de origem. A idade mínima para condutores é de 18 anos.
O Código da Estrada italiano impõe regras estritas:
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Iluminação: O uso de faróis baixos é mandatório em rodovias de pista dupla e autoestradas, mesmo durante o dia.
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Prioridade: Em cruzamentos não sinalizados, a preferência é sempre de quem vem pela direita. Bondes e trens possuem prioridade absoluta.
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Limites de Velocidade: Variam de 50 km/h em áreas urbanas a 130 km/h em autoestradas (autostrade). Atenção: em condições de chuva ou neve, o limite nas autoestradas é reduzido compulsoriamente para 110 km/h.
2. O Risco das ZTL (Zonas de Tráfego Limitado)
Um dos maiores geradores de multas para turistas são as Zone a Traffico Limitato (ZTL). Presentes na maioria dos centros históricos e projetadas para reduzir a poluição e preservar o patrimônio, estas áreas são monitoradas por câmeras de vigilância.
O acesso é restrito a residentes e veículos autorizados. A entrada não autorizada gera uma infração automática, cuja notificação é enviada internacionalmente, muitas vezes meses após a viagem. A sinalização é feita por placas de círculo branco com borda vermelha, mas a falta de barreiras físicas frequentemente confunde condutores estrangeiros.
3. Infraestrutura e Comportamento de Risco
O perfil do condutor local é descrito como assertivo e, por vezes, agressivo. Ultrapassagens arriscadas e o não cumprimento da distância de segurança são comuns, inclusive por parte de motoristas de caminhões pesados.
Além do fator humano, a geografia impõe desafios. Algumas rotas são classificadas entre as mais perigosas do mundo:
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SS 106 Jonica: A rodovia que conecta Reggio Calabria a Taranto possui altos índices de acidentes.
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Passo Stelvio: Situada nos Alpes, esta estrada sinuosa exige alta perícia técnica.
Nas áreas rurais, o estreitamento das vias, a ausência de guard-rails e a presença de neblina no Norte do país aumentam a periculosidade.
4. Tolerância ao Álcool e Infrações Graves
A legislação italiana para alcoolemia é rígida. O limite geral é de 0,5 g/l no sangue. Contudo, para condutores com menos de 21 anos ou com menos de três anos de habilitação, aplica-se a telerância zero (0,00%).
Outra infração comum entre estrangeiros é a conversão à direita no sinal vermelho. Ao contrário da legislação de alguns países americanos, na Itália esta manobra é ilegal e sujeita a sanções.
5. Segurança Pública e Golpes em Rodovias
Autoridades alertam para a incidência de crimes contra motoristas, especialmente no sul do país, com destaque para a região de Catânia (Sicília). A tática de sinalizar um pneu furado para forçar o condutor a parar é um método frequente de assalto. A recomendação é não parar em locais isolados e buscar o posto de serviço mais próximo.
Furtos em veículos estacionados também são comuns; recomenda-se nunca deixar bagagens ou objetos de valor à vista dentro do automóvel.
Números de Emergência na Itália
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Polícia: 113
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Emergência Médica: 118 (ou 112 para emergência geral europeia)
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Bombeiros: 115
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Código Rodoviário Oficial: www.aci.it
Respeitar os limites de velocidade, planejar rotas evitando as ZTLs e manter a direção defensiva são medidas indispensáveis para garantir que a viagem pela península seja memorável pelas paisagens, e não pelos transtornos burocráticos ou acidentes.























