Por Chiara Lombardi — Em uma conversa no programa La volta buona apresentado por Caterina Balivo, o duo Jalisse anunciou que não desiste: pretende tentar novamente uma vaga entre os Big do Sanremo 2027. Seria a 30ª tentativa dos artistas, uma sequência que já se tornou parte da narrativa pública do par e do próprio festival.
Com a franqueza que combina humor e persistência, os músicos explicaram que a esperança de retorno ao palco do Ariston ganhou um novo elemento com a nomeação de Stefano De Martino como condutor e diretor artístico da kermesse. “Não o stalkerizamos — nunca fizemos isso com ninguém, figurate con Stefano”, disseram, mas reconheceram que os fãs, nas redes, estão a tentar influenciar o caminho: “Eles o tagueiam e pedem que nos leve”.
As declarações revelam o roteiro oculto de uma carreira que transita entre o apelo emocional do passado e a necessidade de reinvenção no presente. Os Jalisse confessaram a dificuldade que encontram ao escolher um novo repertório: “Não sabemos mais que canção propor, não sabemos o que possa agradar”, admitiram. Há incerteza sobre o formato da apresentação — se seguirá como independentes ou com o respaldo de uma etiqueta discográfica — o que também reflete o atual ecossistema musical, onde estratégia e identidade se confundem.
Entre reflexão e ironia, o duo ainda brincou sobre a estética do espetáculo: “Certamente precisaríamos de uma coreografia à Sal Da Vinci com ‘Per sempre sì’”, disseram, evocando um gesto teatral que liga memória afetiva e performance. É uma observação que funciona como um espelho do tempo: o retorno a Sanremo não é só um desejo de palco, é a tentativa de reposicionar uma própria narrativa artística diante de um público e de um júri que mudaram.
Como analista cultural, observo que a trajetória dos Jalisse se lê também como um estudo sobre o que o festival representa no imaginário europeu: um palco que pode legitimar, devolver relevância ou confirmar a obsolescência de um repertório. A expectativa depositada em Stefano De Martino revela mais do que uma aposta pessoal; é uma leitura do momento em que figuras novas na curadoria prometem reconfigurar critérios, afetos e gostos.
Restam perguntas abertas: qual é a canção capaz de atravessar a nostalgia e dialogar com o presente? Como equilibrar independência artística e mecânica de indústria? O que pesa mais num retorno: a credibilidade construída ou a coreografia correta?
Enquanto isso, os Jalisse seguem sua tentativa, conscientes de que o caminho até o Ariston é tanto escadaria de memórias quanto ensaio para o futuro. E, no teatro simbólico do Sanremo 2027, cada nova tentativa funciona como um refrão insistente: persistir pode ser, no fim, a própria canção.






















