Por Marco Severini — Em um movimento que altera, ainda que modestamente, o desenho da PIL e da influência económica no tabuleiro europeu, os dados oficiais do Eurostat confirmam que, em 2025, o produto interno bruto cresceu em todos os Estados‑membros. A zona euro fechou o ano com alta anual de 1,4% e a União Europeia como um todo com 1,5%, depois dos incrementos de 0,9% e 1,1% observados em 2024, respetivamente.
No ranking por países, a Irlanda destacou‑se como um movimento decisivo no centro do tabuleiro, com um crescimento anual de 12,3%, seguido por Malta (+4,0%) e Chipre (+3,8%). No extremo oposto, as economias com os aumentos mais contidos foram Alemanha e Finlândia (ambas +0,2%), Hungria (+0,4%) e a Itália, que registrou um acréscimo anual de apenas 0,5% em comparação com 2024. Os números foram publicados pelo Eurostat, escritório estatístico da União Europeia.
Ao nível trimestral, o quarto trimestre de 2025 trouxe uma revisão em baixa nas estimativas iniciais: o PIL da zona euro subiu 0,2% face ao trimestre anterior, e 1,2% em termos anuais — uma leitura ligeiramente inferior à estimativa preliminar de +0,3% trimestral e +1,3% anual. Para toda a UE, o quarto trimestre registou +0,2% q/q e +1,4% t/t.
No confronto trimestral, entre outubro e dezembro de 2025, Malta assinalou o maior avanço com +2,1%, seguida pela Lituânia (+1,7%) e por Croácia e Chipre (ambas +1,4%). Algumas economias, porém, recuaram: a Irlanda contraiu ‑3,8%, a Romênia ‑1,9%, enquanto Estônia e Luxemburgo apresentaram ligeiras quedas de ‑0,1%. A Itália evoluiu com um crescimento trimestral de +0,3%.
Em comparação internacional, a economia dos Estados Unidos acelerou 0,4% no quarto trimestre face ao trimestre anterior, depois do robusto +1,1% do terceiro trimestre; no ano, o crescimento norte‑americano ficou em +2,2%.
As componentes que sustentaram o crescimento no último trimestre de 2025 apontam para uma dinâmica interna mais resiliente: o consumo final das famílias aumentou 0,4% na zona euro e 0,5% na UE, enquanto a despesa pública cresceu 0,5% e 0,7%, respetivamente. Os investimentos fixos brutos subiram 0,6% em ambas as áreas. No entanto, o comércio externo pesou negativamente: as exportações caíram 0,4% na zona euro e 0,3% na UE, enquanto as importações diminuíram 0,2% na zona euro e permaneceram estáveis na UE.
Do ponto de vista estratégico, estes números desenham uma tectônica de poder económico onde singularidades nacionais — como o salto estatístico irlandês, frequentemente associado a fatores transfronteiriços e corporativos — podem distorcer a geografia do crescimento aparente. Para a Itália, o quadro é de crescimento real, porém modesto, que exige políticas públicas e privadas que atuem como alicerces mais robustos para evitar oscilações cíclicas.
Em suma, o relatório do Eurostat confirma um crescimento generalizado na União, mas com variações regionais que tornam o panorama europeu um tabuleiro de xadrez, no qual decisões de investimento, políticas fiscais e choques externos determinam o próximo movimento. A sustentabilidade desse avanço dependerá da capacidade dos Estados e da União em coordenar respostas macroeconômicas que preservem a estabilidade e incentivem o crescimento inclusivo.
Fontes: Eurostat. Análise por Marco Severini, Espresso Italia.






















