Ciao, viajante dos olhos: de Roma às margens da Senna, a magia da fotografia italiana encontra um novo palco em Paris. A cidade-luz presta homenagem a Guido Guidi (nascido em 1941), considerado um dos maiores mestres da fotografia contemporânea italiana, com a mostra monográfica mais extensa já dedicada ao seu trabalho: Col tempo, 1956-2024.
Depois de encantar o público romano no MAXXI no ano passado, a exposição desembarca nos espaços acolhedores de Le BAL, em Montmartre, e ficará aberta até 24 de maio de 2026. São mais de 200 imagens organizadas em dezoito sequências fotográficas pensadas pelo próprio artista — um itinerário visual que reconstrói, passo a passo, a jornada de um fotógrafo que redefiniu nosso olhar sobre o paisagem contemporânea e a arquitetura.
Ao entrar nessa narrativa, você sente o tempo: a textura do preto e branco das primeiras experiências nos anos 1960 e 1970; o estudo paciente e quase antropológico do território, ruas e construções ao longo das décadas seguintes; até os projetos mais recentes, onde o presente e a memória conversam em silêncio. É como passear por um álbum íntimo que, ao mesmo tempo, é um mapa coletivo — um Dolce Far Niente visual que convida o espectador a saborear a história.
A escolha de Paris não é casual: a mostra ocorre justamente no ano do 70º aniversário do gemellaggio entre Parigi e Roma, um diálogo cultural que ganha forma nas imagens de Guido Guidi. Passeamos das margens do Tevere às das águas da Senna, percebendo as afinidades e diferenças na luz, nas superfícies, no cheiro das pedras molhadas pela chuva — detalhes sensoriais que só uma lente tão atenta poderia captar.
Le BAL, criado em 2010 por Diane Dufour, Christine Vidal e Raymond Depardon, é um espaço independente dedicado à imagem contemporânea em todas as suas formas — fotografia, vídeo, cinema e novos media. A curadoria da mostra (assinada por Simona Ant) organiza o vasto conjunto de obras de modo a respeitar a sequência pensada pelo autor, permitindo que cada visitante construa sua própria narrativa temporal.
Visitar essa exposição é, para mim, como navegar por tradições: há silêncio, há estrada, há a luz dourada que transforma uma fachada qualquer em poesia. Andiamo — deixe-se guiar pelos ritmos visuais de Guidi, olhe demoradamente as esquinas, ouça a cidade nas fotografias e permita-se descobrir os hidden gems de uma paisagem que fala, lenta e generosamente, ao observador paciente.
Para os curiosos e amantes da arte, a mostra é uma oportunidade para entender como um olhar pode redesenhar o espaço cotidiano, tornando-o memorável. Para os viajantes sensoriais — como eu — é um convite para saborear, com calma, cada enquadramento: o perfume dos vinhedos, a textura do tempo nas paredes, a sinfonia muda dos pavimentos urbanos.
Se estiver em Paris antes de 24 de maio de 2026, não perca: é uma experiência que pulsa entre memória e presente, e que celebra, com ternura e rigor, a obra de um verdadeiro mestre. Arrivederci — nos vemos entre as imagens.






















