Por Chiara Lombardi — Em um curioso espelho cultural, o Festival de Sanremo 2026 continua a revelar diferentes leituras quando observado de fora dos limites nacionais. Segundo um levantamento online realizado pelo portal Vico Food Box, com a participação de mais de 2.000 expats, a cantora Arisa surge no topo das preferências dos italianos no exterior com a sua canção «Magica favola», alcançando 24,4% dos votos.
O resultado traça um cenário que diverge do placar oficial do Festival: o vencedor de Sanremo, Sal Da Vinci — com a canção «Per sempre sì» — ocupa a segunda posição na escolha dos expatriados, com 19,9% das intenções de voto, embora tenha sido o primeiro nas preferências dos italianos residentes na Alemanha. Em terceiro lugar aparece Ermal Meta, que na classificação final do Festival havia ficado na oitava colocação, mas aqui soma 8,4%.
O levantamento também mapeou outras músicas que repercutiram entre os conterrâneos espalhados pelo mundo: a parceria de Fedez com Marco Masini aparece com 7,9%; Serena Brancale com 4,4%; Ditonellapiaga com 3,4%; a dupla LDA & AKA 7even com 2,8%; Fulminacci com 2,6%; e empatados com 2,3% Raf e Tommaso Paradiso.
Os países que mais contribuíram para a amostra foram, por ordem de participação, Alemanha, França, Argentina e Espanha. Essa geografia do voto indica não só onde vivem comunidades italianas mais engajadas com o rito sanremense, mas também como a diáspora redesenha as leituras afetivas do repertório contemporâneo.
O contraste entre o resultado oficial do Festival e a preferência expatriada sugere uma espécie de reframe cultural: fora da arena midiática italiana, certas canções ganham outra ressonância, talvez por afinidades geracionais, memórias regionais ou simplesmente por conexões afetivas com a letra e o timbre da voz. É como ver o mesmo filme por uma lente diferente — a narrativa permanece, mas as nuances se deslocam.
Em paralelo, houve celebrações pela vitória de Sal Da Vinci em sua cidade natal, com manifestações de acolhimento e reconhecimento pelo triunfo. A canção vencedora, uma homenagem íntima, ganhou também espaço nas conversas sobre laços familiares — lembrando que a música de festival muitas vezes atua como um espelho das histórias pessoais que carregamos.
O dado essencial é que Sanremo 2026 não é apenas um evento local: é um cenário de transformação simbólica cujas interpretações se multiplicam quando atravessam fronteiras. A preferência pelos artistas entre os italianos no exterior é um pequeno roteiro oculto que revela identidades em trânsito, memórias musicais e o eco cultural que a canção popular ainda provoca.
Dados do levantamento (Vico Food Box): participação de mais de 2.000 expats; principais países votantes: Alemanha, França, Argentina e Espanha. Percentuais: Arisa 24,4% (“Magica favola”); Sal Da Vinci 19,9% (“Per sempre sì”); Ermal Meta 8,4%; Fedez & Marco Masini 7,9%; Serena Brancale 4,4%; Ditonellapiaga 3,4%; LDA & AKA 7even 2,8%; Fulminacci 2,6%; Raf 2,3%; Tommaso Paradiso 2,3%.
Em tempos em que a cultura circula rápido e em múltiplos formatos, observar quem ressoa além das fronteiras é decifrar parte do roteiro coletivo que atravessa dias e saudades. Sanremo permanece, assim, um espelho do nosso tempo — e as preferências dos expatriados nos contam um capítulo paralelo dessa história.






















