Por Giulliano Martini — Apuração in loco, cruzamento de fontes.
Uma nova leva de passageiros procedentes do Golfo Pérsico desembarcou ontem no aeroporto de Orio al Serio, encerrando uma jornada marcada por atrasos, reprogramações e apreensão. Às 15h30 pousou um Flydubai com 172 passageiros a bordo — a mesma odisseia relatada nos últimos dias: partida prevista para o final da tarde, sucessivas mudanças, aglomeração no check-in, embarque apenas à 1h da madrugada e decolagem às 4h50, seguida por uma longa escala no Cairo antes da chegada à Itália.
Entre os passageiros estava a cantora Marianna Mammone, conhecida como Big Mama, que havia publicado vídeos dramáticos pedindo ajuda para retornar ao país. Também chegaram o casal de Trescore, Luciano Caldara e Mara Biava, bloqueados nos Emirados ao voltar de férias nas Maldivas. “Alguém comprou bilhetes por €1.600, estávamos com medo de perder nossa vez”, afirmou Caldara, descrevendo a tensão nos aeroportos.
No mesmo período, outro Flydubai pousou em Orio e, já à noite, um terceiro avião com 174 pessoas completou os desembarques. Apesar dessas rotas de retorno, os números de cidadãos italianos ainda presentes na região continuam elevados: 92 na Bahrain, 948 no Qatar, 6.536 nos Emirados Árabes Unidos e 1.386 em Omã, segundo levantamento das autoridades e do consulado.
Relatos em primeira pessoa evidenciam o clima de incerteza. Othman El Karrouti, 22 anos, de Sorisole, descreveu a experiência em Dubai: janta com amigos quando ouviu um estrondo que o fez saltar da cadeira; um hotel próximo permaneceu apenas como “uma nuvem negra”. Ele relatou ver interceptações de mísseis e nuvens brancas geradas pelos impactos. Em meio ao pânico, comunidades buscaram abrigo em subsolos por horas.
Othman tentou retorno imediato: um voo que reservara foi cancelado; “estão sendo suprimidos 95% dos voos, é um bilhete de loteria achar um enlace”, disse. Amigos têm recorrido a soluções caras e arriscadas — um conhecido desembolsou €600 em táxi e dois ônibus até Omã; outro enfrenta fila contínua para um voo de €2.500. A Farnesina informou alternativas terrestres e comunicou a disponibilidade de um ônibus para Mascate por €100, opção que muitos tentam aproveitar.
Em contraste com a pressa de alguns para voltar, há quem tenha decidido permanecer. Entre esses está Paolo Nazzari, 34 anos, de Borgo Santa Caterina, que declarou que considera Dubai sua casa e optou por ficar enquanto a situação não se normaliza.
O cenário logístico permanece complexo: companhias aéreas reajustam malhas, escalas intermediárias aumentam a duração das viagens e os preços de última hora disparam. As autoridades italianas mantêm comunicação com consulados locais e publicam orientações para cidadãos no exterior. A realidade traduzida pelos depoimentos é de um retorno fragmentado, feito em condições adversas e com alto custo humano e econômico.
Continuaremos acompanhando os próximos voos e as providências consulares. Apuração permanente e checagem de informações: essa é a prioridade.






















