Por Aurora Bellini — No coração da reserva, onde a macchia mediterrânea protege trilhas e enseadas, o Centro Territorial de Primeira Acolhida para a fauna selvagem de Torre Guaceto (Brindisi) atua como um farol de cuidado e reconstrução de vidas. Em parceria com o Wwf Italia e a própria Riserva naturale, a equipe do CRAS tem presença 24 horas e respondeu com rapidez a um número crescente de chamados: foram 145 animais socorridos no último ano.
Desses, 113 eram aves e 32 mamíferos. A notícia mais luminosa é que 98 exemplares foram reabilitados e reintegrados ao seu habitat. Ainda assim, a trajetória de salvamento nem sempre alcança o desfecho desejado: 34 não resistiram, e os remanescentes seguem internados ou foram transferidos para o centro de referência para longas degenças em Bitetto.
Segundo Rocky Malatesta, presidente do Consorzio di Gestione, à Espresso Italia, o trabalho concentrado de reabilitação no mesmo local em que se realiza a reintrodução tem papel decisivo: “manter o ciclo de cura e soltura na própria reserva ajuda a preservar comportamentos naturais e a garantir que os animais encontrem alimento e abrigo próximos às volieras onde foram recuperados”. É como iluminar um caminho seguro para um novo começo.
Do total atendido entre 2019 e 2025, quase 700 animais em perigo foram acolhidos pelo centro — um indicador claro de que a responsabilidade humana e a necessidade de intervenções especializadas só crescem. As espécies mais recorrentes nos atendimentos foram o ouriço (17,93%), o pardal-das-casas ou passera d’Italia (13,79%) e o rondone (11,72%), além de rapinas e mamíferos como raposas.
A maior parte dos resgates originou-se nos municípios de Brindisi, Carovigno, Mesagne e San Vito dei Normanni. Quanto às causas do estado precário em que foram encontrados, predominaram impactos ligados à ação humana (37,93%); em 35,55% dos casos a origem permaneceu indefinida, e apenas 25,52% resultaram de processos naturais.
O centro está estrategicamente localizado no âmago da reserva, cercado pela vegetação típica, um arranjo que facilita a reabilitação e a readaptação dos animais ao ambiente onde serão liberados. Nos primeiros dias após a soltura, essa proximidade entre volieras e território livre funciona como um amortecedor de transição — um gesto de cuidado que aumenta as chances de sobrevivência.
Se você avistar um animal em dificuldades em Torre Guaceto ou nas redondezas, acione a equipe imediatamente pelo número 335-5230215 para ativar a máquina de socorro. Cada ligação é uma lâmpada acesa no trabalho coletivo de proteção e cuidado.
O relato do centro é um convite para semear responsabilidade: preservar a fauna é tecer um legado para as próximas gerações — um horizonte límpido onde convivência e respeito florescem. Acompanhe as ações e apoie iniciativas locais que transformam atenção em recuperação real.






















