Por Marco Severini — A Farnesina mobiliza recursos e ajusta sua cartografia diplomática para responder a um desafio logístico e político de larga escala. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Tajani, confirmou que foram incrementados os voos destinados ao repatriamento e à assistência dos cidadãos italianos presentes na região afetada. Segundo dados oficiais, cerca de 100 mil italianos estão no entorno — “uma cidade inteira”, descreveu o ministro — e a operação tem sido tratada como um movimento coordenado no grande tabuleiro que compõe a presença italiana no exterior.
Em declarações à imprensa, Tajani destacou o “esforço organizativo enorme” em curso: escritórios e desks em aeroportos, reforços de pessoal em postos consulares e um trabalho de coordenação com companhias aéreas. Até o momento, cerca de 10 mil foram evacuados dos pontos críticos. Hoje, a previsão é de que saiam do Golfo cerca de 2.500 italianos, fruto de voos regulares e especiais mobilizados em articulação com as empresas aéreas. Parte dos cidadãos está sendo transferida dos Emirados para o Omã, onde o aeroporto de Muscat permanece operacional.
Em uma decisão de preservação de presença diplomática, a representação italiana no Irã não foi fechada: a embaixadora Paola Amadei e um pequeno núcleo de funcionários foram temporariamente deslocados para a embaixada de Baku, de onde manterão canais de contato com Teerã. O ministro afirmou que receberá a embaixadora na Farnesina para um atualização detalhada sobre a situação.
Além do Golfo, reforços foram encaminhados a outros postos considerados estratégicos, do Omã aos Emirados Árabes, e até ao Sri Lanka, visando garantir assistência consular e pontes logísticas para quem opta pela saída. Um voo especial da ITA parte hoje de Omã em apoio à operação — um gesto de coordenação público-privada que o ministro agradeceu institucionalmente.
No plano económico, Tajani advertiu contra as especulações sobre preços de combustíveis, classificando-as como “inaceitáveis” e anunciando vigilância das autoridades. Quanto à hipótese de reabertura de contactos com a Rússia para suprir necessidades energéticas decorrentes de perturbações, o ministro considerou a medida “muito improvável”: a Itália mantém seu compromisso com a Ucrânia e a estratégia de diversificação dos fornecimentos energéticos.
Do ponto de vista estratégico, a operação revela mais do que uma logística de emergência: expõe os alicerces frágeis da diplomacia quando o tabuleiro geopolítico se desloca. A decisão de não encerrar representações e de realocar equipes para hubs regionais como Baku ou Muscat lembra um movimento de cavalo num xeque-mate preventivo — proteger as peças essenciais enquanto se mantém a capacidade de diálogo.
Em suma, a Farnesina atua em dois níveis simultâneos: garantir a segurança dos cidadãos italianos com meios operacionais imediatos e preservar a posição diplomática italiana na região, evitando rupturas que possam minar canais de comunicação essenciais. A convocação da embaixadora Amadei a Roma, afirmou Tajani, servirá para calibrar os próximos passos nesta fase crítica.





















