Por Stella Ferrari — As Bolsas europeias viram uma correção ao longo da manhã e entram em terreno negativo após um início de sessão otimista, dominadas pelo receio de uma possível ampliação do conflito no Médio Oriente. O sentimento de mercado sofreu um ajuste rápido: a avaliação de risco geopolítico acelerou a procura por ativos energéticos e ativos de refúgio, impactando diretamente o comportamento dos índices e das moedas.
No meio da sessão, a praça de Milão registra perdas superiores a um ponto percentual, refletindo a aversão ao risco entre investidores institucionais e gestores de portfólio. Paralelamente, os futuros de Wall Street passaram para o vermelho à espera da divulgação dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que podem redefinir expectativas sobre a calibragem de juros pelo Federal Reserve.
Ontem, todos os principais índices dos EUA fecharam em baixa, e o efeito de contágio chega hoje às praças europeias com mais intensidade por conta da reprecificação das commodities de energia. O preço do petróleo voltou a acelerar: o Brent ultrapassou os 89 dólares por barril, enquanto o WTI superou os 86 dólares por barril, recuperando as perdas da abertura.
O segmento de gás natural também pressiona os mercados: o contrato negociado em Amsterdã subiu acima de 52 euros por megawatt-hora após uma abertura inicial em queda. Essa elevação nas cotações energéticas tem papel duplo — por um lado, agrava perspectivas de custos para indústrias intensivas em energia; por outro, reforça flutuações nos indicadores de inflação, condicionando decisões de política monetária.
Em termos de moedas, a incerteza global estimula recomposição de carteiras para o dólar. O par EUR/USD voltou a cair e rompeu a barreira de 1,16, à medida que fluxos de capital buscam a moeda americana como porto seguro diante da tensão geopolítica e da expectativa pelos dados americanos.
Do ponto de vista macro e estratégico, estamos diante de um momento em que o motor da economia global precisa de uma resposta de política muito bem desenhada: a combinação entre choques de oferta em energia e dados macro mais frágeis pode exigir ajustes finos — freios fiscais menos bruscos e uma calibragem de juros mais ponderada. Investidores de alta performance estão reposicionando carteiras, privilegiando liquidez e exposição seletiva a commodities.
Em suma, a leitura do dia é clara: enquanto persistirem riscos de escalada no Médio Oriente e a volatilidade dos preços do petróleo e do gás continuar elevada, as bolsas europeias permanecerão suscetíveis a correções. Monitorar os dados do mercado de trabalho dos EUA e os desenvolvimentos geopolíticos será essencial para antecipar a próxima fase de aceleração ou estabilização dos mercados.






















