Em uma época em que a realidade parece reescrever seus mapas diariamente, o Festival Geografie retorna como um roteiro essencial para quem busca ler o presente com olhos críticos. De quarta-feira, 25 a 29 de março, a cidade costeira de Monfalcone se transforma em platô cultural para cinco dias e 51 eventos que prometem traçar rotas e perspectivas para navegar um mundo em aceleração.
Idealizado e promovido pelo Comune di Monfalcone – Assessorato alla Cultura, o encontro é realizado em colaboração com a Fondazione Pordenonelegge.it e tem a direção artística de Gian Mario Villalta, com curadoria de Alberto Garlini e Valentina Gasparet, além do comitê científico da administração municipal. A proposta não é apenas reunir vozes: é criar um mapa de diálogo entre literatura, história, jornalismo e pensamento contemporâneo.
Como observa o prefeito Luca Fasan, com a cidade abraçada pelo mar e pelo Carso, Monfalcone funciona como uma cenografia que amplifica um discurso mais amplo: dos percursos naturalistas aos mergulhos históricos, dos debates com escritores e jornalistas às caminhadas literárias, cada encontro contribui a desenhar uma geografia do sensível entre memória, atualidade e projeção. É um festival que, ao longo dos anos, conquistou notoriedade nacional e internacional e envolveu especialmente as novas gerações.
Na direção artística, Gian Mario Villalta enfatiza a singularidade geográfica e simbólica de Monfalcone na trama italiana e europeia. “Traçaremos a mapa de um olhar possível sobre o presente”, diz Villalta, conectando temas diversos e áreas culturais distintas — uma ambição que lembra o trabalho de um diretor que monta cenas para revelar o roteiro oculto da sociedade.
Entre as novidades editoriais, destaca-se o ensaio do crítico Giuseppe Lupo, Medioccidente, que propõe uma alternativa geográfica, política e cultural para repensar pactos sociais. Haverá também uma estreia editorial de forte carga memorial: Una piccola guerra. Il 6 maggio del Friuli, de Toni Capuozzo, assinado no marco do cinquantenário do terremoto de maio de 1976.
Fresco da gráfica chega a Monfalcone o novo livro do jornalista Tommaso Cerno, Le ragioni di Giuda. Quando il tradimento ideologico diventa un atto di libertà, com lançamento previsto para 10 de março. Compõem a programação nomes de destaque como Gabriella Genisi, criadora do célebre comissário Lolita Lobosco; o ex-magistrado e escritor Giancarlo De Cataldo; o jornalista investigativo Stefano Nazzi; a sinóloga Giada Messetti; o ensaísta Marcello Veneziani; além dos autores Enrico Galiano, Giada Messina Cuti, do ex-piloto Riccardo Patrese e do chef Luca Pappagallo.
Organizado pelo Comune di Monfalcone, haverá também um diálogo de prestígio entre o editorialista e historiador Paolo Mieli e o jornalista Lucio Gregoretti, além da anteprima do ensaio do historiador Enrico Cernigoi, Soldi e sangue. Economia di guerra e servizi segreti. A programação ainda reserva surpresas, mesas temáticas e passeios que interrogam como as narrativas públicas desenham fronteiras e conexões — a semiótica do viral que transforma memórias em mapas políticos.
Em suma, o Festival Geografie é mais do que um sucessão de eventos: é um espelho do nosso tempo, um convite para reaprender a ler territórios, histórias e afetos. Para leitores, profissionais e curiosos, Monfalcone se oferece como palco e ponto de observação para compreender o roteiro contemporâneo e inventar rotas de sentido.






















