Digital Maturity Report 2025: Como as PMEs europeias traduzem a IA em prática
O novo Digital Maturity Report da team.blue mapeou mais de 8.000 empresas em mais de 30 países e desenha um retrato pragmático do avanço digital na Europa: a adoção da Inteligência Artificial deixou de ser hipótese para tornar-se rotina em quase uma em cada cinco empresas, enquanto cerca de um terço está em fase ativa de experimentação.
Esses números mostram um movimento claro no fluxo de dados corporativo: a IA já circula como eletricidade invisível nos processos de muitas organizações, mas o percurso para uma digitalização plena ainda encontra resistências estruturais. Do total pesquisado, 30% das empresas afirmam não saber escolher as ferramentas adequadas e 26% relatam falta de competências ou confiança para avançar.
Na prática, a dotação tecnológica das PMEs europeias permanece ancorada em soluções consolidadas. As redes sociais lideram o uso diário (74%) para visibilidade e conexão com clientes, seguidas pelo cloud storage (73%), hoje integrado aos fluxos de trabalho para arquivamento e partilha. Apesar dessa familiaridade com o ambiente online, mais da metade das empresas mantém um ecossistema digital elementar, restrito a plataformas de colaboração e criação de sites.
A resistência mais palpável aparece nas empresas com mais de dez anos de atividade: 59% dessas organizações ainda não reconhecem o valor agregado das novas tecnologias, indicando uma dificuldade em recodificar procedimentos operacionais padronizados. É um problema de mudança cultural e de arquitetura organizacional — não só de acesso a ferramentas.
Mais do que tecnologia, as PMEs pedem orientação prática. Metade dos respondentes acredita que um guia detalhado facilitaria a progressão digital, e 42% solicita apoio específico na seleção de ferramentas. Esses números deixam evidente que o gargalo não é a disponibilidade de soluções, mas a capacidade de transformar complexidade em rotinas seguras e repetíveis.
Claudio Corbetta, Group CEO da team.blue, sintetiza: “A evolução tecnológica, e em particular da Inteligência Artificial, corre a um ritmo que muitas pequenas empresas têm dificuldade em acompanhar. Não falta ambição; falta orientação para traduzi‑la em ação. Quando simplificamos o percurso e tornamos as ferramentas acessíveis, a IA torna‑se um catalisador de criatividade e crescimento.”
No diagnóstico apresentado, a team.blue propõe um modelo de suporte que atua como um mapa de engenharia para a transformação: consultoria prática, ferramentas de fácil adoção e processos seguros que reduzam o chamado “gap de confiança”. Essa abordagem tem o objetivo de transformar instrumentos percebidos como complexos em componentes do cotidiano empresarial — parte do alicerce digital que sustenta a competitividade.
Do ponto de vista sistêmico, a lição é clara: digitalizar é reconfigurar camadas inteiras da infraestrutura operacional — desde fluxos de dados e armazenamento até a tomada de decisão orientada por algoritmos. A resposta eficaz passa por três frentes simultâneas: educação técnica aplicada, curadoria de ferramentas e simplificação dos processos de integração. Só assim a IA deixa de ser um projeto pontual e passa a funcionar como uma peça contínua no sistema nervoso das cidades e do mercado.
Para quem acompanha a transformação digital na Europa, o relatório reforça um princípio de engenharia socio‑técnica: tecnologia sem mapa prático é potencial não realizado. A próxima etapa decisiva será a operacionalização desse mapa — converter ambição em rotinas que as PMEs consigam adotar com segurança e retorno mensurável.
Riccardo Neri — Analista em inovação aplicada e infraestrutura digital da Espresso Italia






















