Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam que, a quase oito anos do desaparecimento, o caso dos três italianos desaparecidos em Tecalitlán, no estado de Jalisco, continua sem desfecho. Trata-se de Raffaele Russo (60 anos), seu filho Antonio (25) e o sobrinho Vincenzo Cimmino (29), desaparecidos em 31 de janeiro de 2018.
O Comitê das Nações Unidas contra a Desaparição Forçada (CED) decidiu que o caso permanece formalmente aberto e sob monitoramento internacional. Em documento oficial datado de 3 de março de 2026, o Comitê impõe ao governo mexicano a obrigação de fornecer respostas detalhadas até 3 de junho de 2026 e de adotar “um plano concreto e estruturado” de busca e investigação.
O advogado Claudio Falleti, do escritório internacional Falleti & Partners (Itália e Madrid), juntamente com a colega Griselda Herrera — responsável pela cooperação internacional — informou que foi submetida às Nações Unidas uma relação pormenorizada sobre como foram conduzidas as investigações subsequentes às condenações já proferidas. No documento, o Comitê manifesta forte preocupação por a sorte dos três cidadãos não estar esclarecida e por não emergir, desde 2023, uma estratégia investigativa estruturada e contínua.
Entre os pontos levantados pelo CED estão: aprofundamento sobre o possível envolvimento de agentes estatais, investigação das ligações com o cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), esclarecimento sobre a perda de material de áudio entregue pelas famílias e garantia de acesso pleno às informações do processo.
Na avaliação técnica do advogado Falleti, as condenações proferidas contra alguns agentes policiais foram um passo processual relevante, mas não encerram o direito à verdade: “A responsabilidade penal individual apurada em sentença não esgota o direito à verdade que permanece incompleto”, afirmou. Em termos práticos, acrescentou, persiste a necessidade de localizar restos, esclarecer circunstâncias e restituir informações às famílias.
O Comitê também apontou que os parentes não receberam atualizações completas e sistemáticas, nem foram adequadamente envolvidos nas fases subsequentes do procedimento. Essa lacuna informativa foi destacada como elemento que compromete a confiança no processo investigativo e vulnera o direito das vítimas e seus representantes.
Falleti fez um apelo às autoridades italianas, solicitando que, após a notificação formal da nova posição do Comitê das Nações Unidas, o Estado italiano dialogue com as autoridades mexicanas para obter uma resposta detalhada e transparente. “A posição da defesa é clara: o caso não pode ser arquivado enquanto não for plenamente esclarecida a sorte dos três italianos”, concluiu.
Em linguagem de reportagem pura: fatos brutos, cronologia e exigência de solução. O caso segue sob observação internacional e com prazo determinado para que o governo mexicano informe medidas concretas. A apuração prossegue e o cruzamento de documentos e depoimentos continua sendo prioridade para a elucidação.






















