Em mensagem por ocasião da oração mensal de março de 2026, o Papa Leone XIV lançou um apelo claro e urgente: as nações devem renunciar às armas e escolher a via da diplomacia. O texto, intitulado “Por o desarmamento e a paz“, foi divulgado pela Rede Mundial de Oração em colaboração com o Dicastério para a Comunicação e foi gravado dias atrás, segundo os organizadores.
O pontífice contextualizou o apelo diante dos “efeitos imprevisíveis” do ataque conjunto norte-americano e israelense ao Irã e das respostas subsequentes de diferentes atores, episódios que, na sua avaliação, podem precipitar o mundo numa guerra de alcance mais amplo. “A verdadeira segurança não nasce do controle que alimenta o medo, mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos”, afirmou o Papa, numa mensagem de tom direto e de evidente preocupação com a escalada geopolítica.
Leone XIV pediu que se eleve a “supplica” pela paz e que as nações coloquem o diálogo no centro das suas decisões. Em sua prece, há um pedido explícito: “Peço a Deus que desarme nossos corações do ódio, do rancor e da indiferença, para que possamos nos tornar instrumentos de reconciliação”. O Papa ainda lançou um apelo urgente a quem detém responsabilidades de Estado: “Que a ameaça nuclear não condicione jamais o futuro da humanidade!”
O pontífice orientou o discurso para a atenção às populações mais vulneráveis e para o imperativo moral de reconstruir um mundo que priorize a vida e a fraternidade. Recorreu ao estilo de São Francisco ao convocar os fiéis e as instituições a serem “construtores fiéis e criativos da paz no cotidiano: em nossos corações, em nossas famílias, em nossas comunidades e em nossas cidades”. “Cada palavra gentil, cada gesto de reconciliação e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo”, disse.
A iniciativa do vídeo-mensagem, já praticada desde o pontificado de Francisco e mantida por Leone XIV, tem como objetivo tornar públicas as intenções de oração mensais do Pontífice e ampliar o alcance do apelo por iniciativas concretas de paz. Os promotores destacaram que a decisão de gravar agora está ligada ao contínuo aumento das despesas militares globais.
Dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) foram citados no material divulgatório: em 2024, o gasto militar global atingiu 2,7 trilhões de dólares, um aumento de 9,4% em relação a 2023, elevando a despesa militar global para 2,5% do produto interno bruto mundial. Esses números compõem o cenário usado pelo Papa para sublinhar a necessidade de reorientar prioridades e recursos.
O apelo de Leone XIV abrange pedidos de cessar-fogo e resolução pacífica de conflitos em áreas como Ucrânia, Gaza e Nigéria. Em linguagem direta e fundamentada no cruzamento de fontes — Vaticano, Rede Mundial de Oração e dados do SIPRI —, a mensagem procura transformar a prece em pressão moral sobre líderes políticos e militares para que escolham o diálogo e o desarmamento, e não a escalada bélica.
Da nossa apuração e verificação das informações — privilegiando a precisão e evitando ruído interpretativo — emerge uma advertência clara: a retórica e os gestos simbólicos só terão efeito se acompanhados por políticas concretas de redução de gastos militares, controles multilaterais e mecanismos de diplomacia sustentada. O Papa oferece a bússola moral; cabe às lideranças políticas traduzir esse apelo em decisões tangíveis.





















