A sessão desta quinta-feira prossegue em terreno positivo para as bolsas europeias, que conseguiram recuperar o piso inicial marcado por receios sobre a conjuntura internacional e a escalada dos preços de energia. Após um arranque em vermelho, o pregão avançou com maior confiança, ainda que a trajetória continue sensível às variações das commodites energéticas.
Em Milão, o destaque negativo fica por conta de Nexi, que despencou na Borsa depois da divulgação de um plano industrial considerado aquém das expectativas pelos analistas. Vendas intensas também pressionaram Amplifon, enquanto bancos italianos como Banca Monte dei Paschi e Mediobanca registraram perdas, num movimento observado após a reunião do conselho de administração do histórico grupo senese.
Os futuros de Wall Street mostram leve viés negativo, ainda que a sessão anterior tenha fechado em alta, impulsionada pelo desempenho dos títulos de tecnologia. Essa digestão de ganhos sugere uma pausa na rotação para ativos de risco, em face de sinais macro e da volatilidade das matérias-primas energéticas.
No epicentro das atenções estão os preços do petróleo e do gás natural. O Brent opera em torno de 83 dólares por barril, acumulando uma alta aproximada de 17% em sete dias. Já o mercado de gás em Amsterdã apresenta contratos perto de 52 euros por megawatt-hora, com um incremento de cerca de 62% na mesma janela semanal. Essa aceleração de preços age como um turbocompressor sobre as pressões inflacionárias e reconfigura o balanço de riscos para empresas e policymakers.
Na minha leitura, enquanto economista e estrategista, essa dinâmica exige imediata calibragem de juros e atenção à política fiscal: a subida do custo da energia funciona como um aumento dos custos fixos para indústrias e serviços, comprimindo margens e potencialmente desacelerando a atividade se os agentes não conseguirem repassar preços. Em termos de “motor da economia”, trata-se de uma força de tração que, se não for administrada, pode ativar freios fiscais e monetários.
Setorialmente, o rali do petróleo e do gás beneficia empresas de energia e fornecedores de commodities, ao mesmo tempo em que pressiona transportadoras, indústrias intensivas em energia e o consumo doméstico europeu, já sensível no imediato a aumentos nas faturas. No front financeiro, bancos com exposição a empresas industriais ou a carteiras sensíveis a juros e crédito podem ver volatilidade acrescida.
O cenário pede vigilância: a volatilidade das commodities energéticas redefine riscos de curto prazo e impõe uma gestão de portfólio mais ativa. A leitura técnica é clara — enquanto os preços de energia aceleram, gestores e decisores deverão ajustar estratégia como se estivessem calibrando um motor, buscando equilíbrio entre aceleração de crescimento e controles prudenciais.
Por Stella Ferrari — Economista sênior, estrategista de mercados e voz de economia e desenvolvimento da Espresso Italia.






















