Ciao, viajante das artes — sou Erica Santini e trago um roteiro sensorial para quem deseja saborear a fotografia e a história neste fim de semana. Entre mostras que celebram o olhar feminino do cinema e trajetórias fotográficas que parecem pinturas, há convites para se perder diante da luz, do grão e da memória. Andiamo?
Viva Varda! Il cinema è donna inaugura na Galleria Modernissimo (de 5 de março a 10 de janeiro de 2027). Uma homenagem calorosa a Agnès Varda, primeira diretora homenageada com o Oscar honorário e presença marcante em Cannes, Veneza, Berlim e Locarno. A monográfica, curada por Florence Tissot com direção artística de Rosalie Varda, retrata a artista em sua multiplicidade: cinema, escrita, pintura e fotografia. Entre filmes, fotografias, instalações, objetos e figurinos, a exposição traça o compromisso feminista e o olhar humano que atravessam sua obra — um convite ao Dolce Far Niente criativo, onde cada sala é uma cena para saborear.
Também a partir de 5 de março, no elegante Palazzo Pallavicini, abre-se “The illusion of time”, a antológica mais ampla já realizada na Itália dedicada a Ruth Orkin (1921-1985). Curada por Anne Morin, a mostra reúne 187 imagens, duas máquinas fotográficas históricas e documentos que revelam uma carreira movida pela paixão tanto pela fotografia quanto pelo cinema. São retratos de viagens e cenas cotidianas que falam de movimento, coragem e da textura do tempo nas paredes das cidades — uma narrativa visual que nos convida a navegar pelas memórias e pelos gestos cotidianos.
No mesmo circuito de fotografia de autor, vale procurar as exposições dedicadas a Saul Leiter e a Gianni Berengo Gardin. Leiter, mestre da cor e da abstração fotográfica, oferece imagens que evocam aquarelas urbanas e a luz filtrada do cotidiano; já Berengo Gardin continua a contar a Itália com um olhar documental e profundamente humano, registrando tradições e transformações com sensibilidade quase tátil. Ambas as mostras são um convite a sentir a textura das ruas e o perfume dos vinhedos culturais da memória italiana.
Como um interlúdio de arte antiga, há também um relato delicioso com os desenhos de van Heemskerck dedicados a Roma: estudos que revelam outra maneira de navegar pelas tradições, com traços que capturam a forma e o espírito da cidade eterna.
Se pretende transformar este fim de semana numa jornada, recomendo planejar pausas para absorver cada imagem: pare para olhar, escutar o silêncio das salas de exposição, sentir o cheiro dos livros e, por que não, brindar com um espresso ao final, celebrando a descoberta. É a hospitalidade sofisticada do Bel Paese traduzida em exposição — um passeio que alimenta a alma e os sentidos.
Buona visita: reserve ingressos quando possível, confirme horários e permita-se perder no detalhe — é aí que moram os hidden gems.






















