Ciao, queridos viajantes e amantes do patrimônio — aqui é Erica Santini, trazendo a você a delicada sinfonia entre dois sítios que guardam memórias antigas. Uma delegação do sítio UNESCO de Butrinto, composta por especialistas da Butrint Management Foundation, realizou uma visita institucional de dois dias ao Parco Archeologico di Ercolano. Andiamo: foi um encontro que uniu técnica, ciência e o suave perfume da história.
Durante as inspeções, a comitiva percorreu áreas emblemáticas do parque: as Terme Suburbane, o criptoportico que sussurra segredos de gerações, os cunicoli do lado leste da piscina da palestra e a área dos chamados Scavi Nuovi – Villa dei Papiri. Cada espaço foi observado com olhar de curadora e especialista, como quem saboreia um espresso enquanto contempla a luz dourada que brinca nas paredes antigas — Dolce Far Niente em versão arqueológica.
As reuniões técnicas e científicas foram uma rica oportunidade de diálogo sobre temas essenciais para quem cuida do tempo materializado em pedra e argamassa: conservação programada, gestão do risco, aplicação de ferramentas GIS na administração de sítios arqueológicos, estratégias de gestão de visitadores e iniciativas de envolvimento do território. Esses tópicos foram debatidos com profundidade, sempre com o horizonte de transformar boas práticas em ações concretas para proteger e valorizar o patrimônio.
Entre conversas e percursos pelos corredores escavados, houve especial atenção à troca de metodologias e experiências em matéria de tutela e valorização do patrimônio arqueológico. Os conhecimentos compartilhados serviram, igualmente, como base para o planejamento de futuras campanhas de escavação na área oriental do sítio de Ercolano — um verdadeiro mapa de intenções para o futuro das pesquisas e conservações.
Para mim, que sou uma curadora de experiências, a imagem que fica é a de mãos de especialistas lamentando e celebrando em conjunto: lamentando as perdas do tempo, celebrando a possibilidade de restaurar e transmitir. É a materialidade do passado tocada por tecnologias e afetos contemporâneos. A troca entre Butrinto e Ercolano é um lembrete de que a história se preserva melhor quando se compartilha conhecimento — uma rede de cuidado que atravessa o Mediterrâneo.
Se você sonha em navegar por essas narrativas, imagine-se caminhando pelos corredores da Villa dei Papiri, sentindo a textura do tempo nas paredes, ouvindo o eco das termas e percebendo a paisagem cultural que une Albânia e Campânia. É um convite — não um roteiro turístico comum, mas um gesto de proximidade com os sítios que guardam a alma do passado.
Resta-nos esperar que esse intercâmbio floresça em projetos concretos, visitas científicas regulares e ações que aproximem as comunidades locais das estratégias de conservação. Andiamo, que a partilha continue e o patrimônio respire mais protegido e amado.






















