Por Erica Santini — Em Taranto, o MArTA transforma o Dia Internacional da Mulher em um momento de escuta e memória: no dia 8 de março o Museu Archeologico Nazionale di Taranto abre suas salas com uma programação dedicada especialmente às mulheres migrantes e às vítimas de guerra.
Com a delicadeza de quem busca tornar visível o invisível, a diretora Stella Falzone explica que “abbiamo deciso di celebrare l’universo femminile, che i manufatti e i reperti archeologici del MArTA ci rappresentano in molteplici forme e nei quali si esalta la donna per bellezza, forza e coraggio, con un pensiero e un sentimento forte di vicinanza con le donne vittime di guerre, violenze e migrazioni” — uma declaração que ecoa como um convite à empatia e à reflexão.
A programação inclui matinées musicais, visitas temáticas e percursos guiados que percorrem a presença feminina na Taranto ellenística. No coração desse encontro sonoro está o projeto “Migrantes. Un viaggio tra speranza e umanità”, idealizado e composto pelo guitarrista Francesco Buzzurro em parceria com o Quartetto Goffriller. A proposta, que integra a terceira etapa da temporada de concertos promovida pelo museu e pela Orchestra della Magna Grecia, oferece uma experiência acústica sensível ao tema das migrações contemporâneas, onde cada nota pretende narrar histórias de partida, resistência e desejo de recomeçar.
Ao percorrer as salas do museu, as visitas guiadas propõem um olhar arqueológico centrado na figura feminina — mães, artesãs, celebrantes — cuja presença é testemunhada em cerâmicas, joias e relevos. Haverá também um momento de convivência com um aperitivo no Chiostro, para que a experiência se prolongue em conversas e sabores, naquele clima de Dolce Far Niente que tanto celebramos ao redor de uma taça.
Importante: no dia 8 de março o MArTA oferece entrada gratuita a todas as mulheres, no âmbito da iniciativa do Ministério da Cultura — ressalta-se que a oferta musical tem custo separado e não está incluída na gratuidade do ingresso.
Esta iniciativa é, para mim, um pequeno roteiro sensorial: imagine a luz suave que entra pelas janelas do claustro, o perfume distante do mar de Taranto, a textura do tempo impressa nos artefatos. É um convite a saborar a história e a reconhecer as continuidades entre passado e presente — sobretudo quando o presente nos pede cuidado para com quem parte e com quem sobrevive às rupturas.
Andiamo: se estiver em Taranto ou planejar uma visita, marque na agenda 8 de março para viver uma jornada cultural que celebra a resiliência feminina, a memória e a solidariedade.






















