Riccardo Frizza, diretor musical e artístico do Donizetti Opera Festival, traça um raio-x da sua carreira: da fascinação inicial por Mozart à interrupção do percurso por uma crise existencial, passando pelo reencontro decisivo com Donizetti que reacendeu sua vocação. Em entrevista conduzida com apuração direta em Bergamo, Frizza descreve fatos brutos e escolhas profissionais que moldaram sua trajetória.
O maestro afirma ter vivido da música desde 2001, ano de seu estreia em palcos relevantes como o Festival Verdi de Parma e o Rossini Opera Festival. A conversão para a regência, recorda, aconteceu ainda na adolescência: durante uma viagem familiar à Áustria, aos 13 ou 14 anos, assistiu à Missa solemnis de Mozart executada pelos Wiener Philharmoniker e conduzida por Herbert von Karajan, experiência que descreve como fulminante — “foi ali que decidi que queria ser maestro”.
Seguiram-se anos de formação e os primeiros passos na Orchestra Sinfonica di Brescia. Em 1991, contudo, uma crise existencial o levou a interromper a carreira. Frizza relata que chegou a dedicar-se a outras atividades e constituiu uma empresa. O retorno à música aconteceu gradualmente: em 1996 frequentou um curso com o maestro Gianluigi Gelmetti e, no ano seguinte, reencontrou Gelmetti em Bergamo, na Santa Maria Maggiore, quando este dirigiu o Requiem de Donizetti. A experiência acendeu uma nova centelha.
Decidido, Frizza inscreveu-se na Accademia Chigiana de Siena e, em 1998, retomou sua formação avançada. O reencontro com Donizetti foi determinante: aponta que o Requiem — peça que mais tarde conduziu em Bergamo durante a pandemia, perante o Presidente Sergio Mattarella — e outras partituras do compositor redefiniram seu percurso artístico. Lembra ainda que a primeira ópera que dirigiu no Conservatório foi Le convenienze e inconvenienze teatrali, de Donizetti, título que integraria novamente à programação do festival que dirige.
Desde 2018, Frizza ocupa a direção musical do teatro de Bergamo e, mais recentemente, também a direção artística do Donizetti Opera Festival. Ele traça um diagnóstico claro: é preciso reposicionar e redescobrir Donizetti. “A ressurgência começou com Gianandrea Gavazzeni nos anos 40, mas não evoluiu como o compositor merecia. Minha missão é contribuir para essa revalorização”, afirma com precisão técnica e enfoque documental.
Sobre a recente temporada, Frizza faz uma avaliação de resultados e prioridades: o repertório tem sido pensado para equilibrar ópera e concertos sinfônicos, com circulação internacional prevista para 2026. Questionado sobre projetos de maior escala, responde com objetividade: sobre a possibilidade de encenar “The Night”, “saberíamos fazer, mas falta orçamento”.
Quanto ao futuro pessoal, o maestro expressa ambição programada: “Gostaria de prosseguir até 2030”, diz, indicando um horizonte de continuidade para consolidar os projetos artísticos em Bergamo e ampliar a presença de Donizetti no mapa operístico europeu.
Em termos práticos, a estratégia de Frizza é mensurável: manter a qualidade musical no palco do Teatro Donizetti, fomentar parcerias e buscar financiamento para produções de maior envergadura. A abordagem é técnica, sem retórica: cruzamento de fontes, seleção de repertório e gestão de recursos são, nas suas palavras, os vetores centrais para transformar intenções em resultados verificáveis.
Este perfil foi produzido com rigor de apuração e verificação de fatos, cruzando declarações diretas do maestro com o histórico público de sua carreira. A narrativa evita especulações e concentra-se em elementos comprobatórios: formações, datas-chave e eventos públicos que marcam a trajetória de Riccardo Frizza e a missão artística do Donizetti Opera Festival.






















