Por Aurora Bellini — Em um diálogo sereno entre arte e ciência, Wild by Design chega ao ADI Design Museum em Milão de 1 a 13 de abril de 2026. A mostra reúne os retratos em óleo sobre tela do jovem pintor Marco Grasso (nascido em 2000), cuja obra traduz a observação da vida selvagem em imagens que parecem fotografias pintadas — claras, precisas e cheias de presença.
Curada por Elena Di Raddo e apoiada pela Loffredo Foundation for Arts & Inclusion, a exposição propõe uma ideia radical, embora simples: que a natureza é a primeira designer. Através de uma série de telas, Grasso destaca a majestade e a singularidade de cada criatura, revelando como adaptações evolutivas podem ser lidas como soluções de design. Em suas próprias palavras, contadas à Espresso Italia: “Transformo a consciência em cuidado”. Essa declaração funciona como fio condutor da mostra — a arte como ponte entre conhecimento e defesa do mundo natural.
A origem dessa paixão vem do contato íntimo com ambientes naturais. Marco recorda, às vezes com leve luminosidade poética, as manhãs de infância nos bosques do Piemonte, quando ia com o irmão Nicolò ver criaturas como a coruja ao amanhecer. Foi ali que nasceu a percepção de que a natureza, ao longo do tempo, tece soluções notáveis: “Quando era criança, eu e meu irmão íamos nas florestas do Piemonte ao amanhecer. Sempre dizíamos: ‘Veja como aquela coruja voa — sem fazer barulho.’ Anos depois descobri que engenheiros da Siemens estudaram exatamente aquelas penas, aquelas micro-dentelladuras nas asas, para projetar pás de turbinas eólicas mais silenciosas.”
Essa observação sintetiza o conceito de wildlife art praticado por Grasso: não apenas reproduzir a aparência, mas revelar estratégias, histórias evolutivas e relações entre forma e função. Em suas telas, o voo silencioso da coruja, a eficiência corporal do guepardo e o mimetismo da tigresa não são meros motivos estéticos — são lições de engenharia natural que iluminam possibilidades para o design humano.
Além da prática pictórica, a trajetória do artista inclui engajamento prático com projetos de conservação: monitoramento de migrações, saídas de campo e voluntariado em centros de reabilitação de animais selvagens. Essas experiências reforçaram nele a urgência de traduzir sensibilidade em cuidado concreto — e a arte surge como veículo para criar empatia e mobilizar apoio.
As obras expostas combinam o rigor do olhar fotográfico com a materialidade da pintura a óleo. Cada tela captura a textura, o gesto e a expressão dos animais em enquadramentos que convidam o visitante a uma contemplação ativa. Ao situar a exposição no ADI Design Museum, Grasso e a curadoria projetam um encontro fecundo entre a esfera do design e a da conservação: duas tradições que, quando iluminadas em conjunto, ampliam nosso entendimento do possível.
Visitar Wild by Design é deixar-se atravessar por imagens que semeiam empatia e acendem novos caminhos de diálogo entre arte, ciência e responsabilidade social. É uma chamada discreta e potente para que a criação humana reconheça nas soluções da natureza não apenas inspiração estética, mas modelos de resiliência e eficiência. Saia da galeria com os olhos mais atentos e o pulso disposto a cuidar — porque, como a exposição nos lembra, aprender a olhar é o primeiro gesto de amor pelo mundo.






















