Por Aurora Bellini — Em um encontro que acendeu ideias e coaxou compromissos, nasceu a primeira grande coalizão italiana dedicada aos polinizadores. O projeto LIFE PolliNetwork, coordenado pelo WWF Itália e cofinanciado pela União Europeia, reúne cientistas, gestores públicos, universidades, organizações agrícolas e associações civis para frear o declínio alarmante de abelhas, borboletas e sirfídeos.
Os polinizadores são a luz que nutre nossos campos: responsáveis pela reprodução de mais de 75% das culturas alimentares globais e por cerca de 90% das plantas selvagens. Ainda assim, essa teia de vida está fragilizada. Estimativas recentes indicam que mais de 40% das espécies de polinizadores correm risco de extinção devido à perda de habitat, uso intensivo de pesticidas, mudanças climáticas e espécies invasoras — ameaças que colocam em risco tanto a segurança alimentar quanto a biodiversidade.
Na primeira reunião do projeto, 116 representantes de aproximadamente 70 organizações se encontraram para lançar a primeira mapa nacional dos atores — científicos, econômicos e sociais — envolvidos na proteção dos polinizadores na Itália. A planta inicial desse mapeamento foi elaborada pelo ISPRA, em colaboração com os parceiros do projeto, e servirá como base para encontros com periodicidade anual até a conclusão prevista para 2030.
O mapa não é um fim em si: é uma lâmpada que ilumina novos caminhos para ações coordenadas. A estratégia do LIFE PolliNetwork foca em três frentes complementares: (1) ampliar o conhecimento sobre os três principais grupos de polinizadores — lepidópteros (borboletas), apoídeos (abelhas) e sirfídeos; (2) identificar e reduzir as ameaças que os afetam, com medidas concretas de restauração de habitat e manejo sustentável; e (3) envolver cidadãos e comunidades em ações de monitoramento e proteção, transformando cada jardim, praça e margem de estrada em um ponto de luz para a biodiversidade.
Este trabalho se insere no quadro mais amplo da Nature Restoration Law (artigo 10 do Regulamento UE 2024/1991), que exige a recuperação de pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas da União Europeia até 2030 e a restauração de todos os ecossistemas que necessitam de intervenção até 2050. A Itália, rica em comunidades de polinizadores, assume aqui um papel central e inspirador: mostrar como políticas públicas, ciência aplicada e envolvimento social podem semear soluções duradouras.
Os próximos passos incluem o refinamento do mapa, a definição de prioridades territoriais e a construção de ações-piloto que demonstrem, em diferentes paisagens — agrícolas, urbanas e naturais —, como reduzir impactos de pesticidas, recuperar corredores florísticos e promover práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores.
Como curadora de progresso, vejo neste projeto uma oportunidade para iluminar novos caminhos: conectar conhecimento e comunidade para cultivar valores que protejam nosso futuro comum. O LIFE PolliNetwork não promete soluções instantâneas, mas planta, com método e arte, as sementes de um renascimento ecológico que beneficiará quem produz e quem come — um legado claro, límpido e transformador.





















