Por Alessandro Vittorio Romano — Em março, mês europeu da prevenção do tumor do cólon e reto, chega um lembrete essencial: a prevenção é a primeira linha de defesa. O IRCCS Ospedale San Raffaele de Milão, parte do Gruppo San Donato, e a Smart Clinic Roma Villa Borghese, primeiro centro polispecialístico Smart Clinic na capital, unem esforços para levar à população uma mensagem clara sobre rastreamento, acessibilidade e qualidade no cuidado.
O modelo integrado dessas estruturas aposta em um atendimento que começa na comunidade, onde a saúde é percebida como paisagem viva — uma respiração da cidade que precisa ser ouvida. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para centros de alta especialização, como a Unidade de Cirurgia Colorretal do San Raffaele, coordenada pelo professor Pierpaolo Sileri, também Pro-Reitor de Ensino e titular de Cirurgia Geral na Universidade Vita-Salute San Raffaele. Ali tecnologia, investigação, formação e atenção ao paciente convergem em um trabalho multidisciplinar.
“A diagnose precoce acontece principalmente graças ao screening, que começa a partir dos 50 anos e é oferecido gratuitamente pelas regiões por meio do teste de sangue oculto nas fezes”, explica o professor Sileri. Se o exame de sangue oculto fecal for positivo, o caminho padrão é a colonoscopia. Já aqueles que apresentam sintomas suspeitos podem ser avaliados com exame endoscópico após acolhimento pelo médico de família ou por um especialista. Uma equipe dedicada à cirurgia colorretal, inserida de forma estável na prática clínica diária, aumenta a capacidade de identificar sinais iniciais muitas vezes subvalorizados pelo paciente, permitindo diagnóstico mais precoce e tratamento oportuno.
O câncer colorretal é uma das neoplasias mais frequentes na Itália, com cerca de 50.000 novos diagnósticos ao ano. Hoje esse diagnóstico inspira menos medo do que no passado: graças ao screening, à detecção precoce e a terapias cada vez mais direcionadas, a sobrevida ultrapassa 65% e a mortalidade segue em queda. Ainda assim, há uma mudança no vento — observou-se um aumento de casos entre pessoas mais jovens, na faixa dos 40 aos 50 anos, tornando a prevenção um gesto urgente e cotidiano.
“O aumento é ainda contido, mas significativo, e exige atenção maior aos sinais possíveis da doença”, afirma Sileri, lembrando que o tumor pode ser sorrateiro, desenvolvendo-se sem sintomas nas fases iniciais por alterações celulares do intestino. É aí que a capacidade de escuta do sistema de saúde, combinada com centros de excelência, faz a diferença: quando hospital, clínica e comunidade trabalham em conjunto, a chance de interceptar a doença em estágios tratáveis cresce.
Para quem vive a rotina italiana como eu gosto de descrevê-la — entre o ciclo das estações, a colheita de hábitos e a respiração dos bairros —, a mensagem é simples e humana: cuide do seu tempo interno, preste atenção aos sinais do corpo e participe do screening. A prevenção é como cuidar de um jardim: pequenas sementes de atenção hoje geram saúde e serenidade amanhã.
Em suma, a parceria entre o IRCCS Ospedale San Raffaele e a Smart Clinic Roma reafirma que um modelo de cuidado acessível, multidisciplinar e próximo da comunidade é essencial para reduzir o impacto do tumor do cólon e reto e salvar vidas.






















