Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
A situação no Médio Oriente preocupa a primeira-ministra Giorgia Meloni em vários planos, com potenciais efeitos diretos sobre a segurança e a política externas da Itália. Em entrevista à rádio Rtl 102.5, Meloni destacou um cenário em que as regras do jogo internacional estão enfraquecidas e onde a incerteza cresce perigosamente.
Segundo a chefe do governo, a erosão do direito internacional e das estruturas multilaterais tem gerado “um mundo cada vez mais governado pelo caos”. Meloni lembrou que esse quadro ficou mais evidente após a anomalia de um membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas invadir um país vizinho, um ato que, na sua leitura, tornou a estabilidade global mais frágil.
A premiê manifestou especial preocupação com a possível escalada do conflito, citando a reação do Irã e ações que estariam a bombardear múltiplas nações, inclusive aquelas envolvidas na negociação do acordo nuclear iraniano. Para Meloni, esse movimento aumenta o risco de consequências imprevisíveis e tem potencial de repercutir sobre a Itália em diversas frentes.
Meloni foi categórica ao afirmar que ‘‘não estamos em guerra e não queremos entrar em guerra’’. Ao mesmo tempo, explicou como a utilização de bases militares segue os termos dos acordos bilaterais existentes. Citou declaração recente de uma porta‑voz espanhola que reiterou: há um acordo e, fora dele, não haverá uso de bases espanholas. Pela lógica política de Roma, o mesmo princípio vale para as bases italianas.
Sobre as instalações concedidas ao uso dos Estados Unidos, Meloni recordou que se baseiam em acordos que remontam a 1954 e que foram atualizados ao longo do tempo. Esses tratados autorizam usos de natureza logística e operações não cinéticas — ou seja, ações que não envolvem bombardeios. Se surgirem pedidos para um uso mais amplo das bases, a primeira-ministra defendeu que essa seria uma decisão do governo e, possivelmente, do Parlamento, mas ressaltou que, até o momento, não houve solicitações desse tipo.
Quanto ao risco de atentados, em especial de matriz islamista, Meloni salientou que não se pode nunca baixar a guarda. O governo mantém todos os serviços de segurança mobilizados. O ministro do Interior, Piantedosi, já convocou o comitê para a ordem e a segurança; o comitê de análise estratégica antiterrorismo reúne-se de forma cadenciada. ‘‘Temos excelências, não estamos distraídos, a vigilância é máxima’’, afirmou a premiê.
Em matéria de política externa e apoio aos aliados do Golfo, Meloni confirmou que a Itália, ao lado do Reino Unido, França e Alemanha, pretende enviar ajudas com foco em defesa, especialmente em capacidades de defesa aérea. Trata‑se de um gesto que passa tanto pela solidariedade entre nações quanto pela necessidade prática de estabilizar uma região onde as tensões militares podem gerar efeitos em cadeia.
Como correspondente atento à intersecção entre decisões de Roma e vidas cotidianas, vejo nas palavras da primeira-ministra a tentativa de manter os alicerces da governança internacional enquanto se constrói uma ponte entre a proteção dos interesses nacionais e o dever de contribuir para a segurança coletiva. A administração italiana afirma estar trabalhando em múltiplas frentes para mitigar riscos e evitar que o peso da caneta — das decisões políticas — provoque fissuras maiores na arquitetura da paz.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia






















