Por Riccardo Neri — Em Roma teve início a conferência CyberSec, promovida pelo jornal Cybersecurity Italia e, neste ano, organizada em colaboração com a Polícia de Estado. O encontro de dois dias colocou no centro do debate a necessidade de tratar a cibersegurança como componente da segurança nacional, com foco em duas frentes complementares: definir uma estratégia contra ataques cibernéticos e criar mecanismos para uma defesa comum.
O subchefe de Estado responsável pela Inovação, Alessio Butti, apresentou dados alarmantes: em 2025 os incidentes cibernéticos cresceram 36% em relação a 2024. Esse aumento contínuo mostra que a Itália se tornou um dos alvos preferenciais da criminalidade digital. Diante desse cenário, a resposta proposta privilegia investimentos em conhecimento, em infraestruturas digitais e na migração para ambientes cloud, especialmente no âmbito da Administração Pública, cuja resiliência é crítica para a continuidade dos serviços.
O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, destacou o papel crescente da Agenzia per la cybersicurezza nazionale no desenho de um «perímetro de segurança cibernética» mais consolidado. Essa noção remete à ideia de infraestrutura física: assim como uma cidade protege suas redes de energia e transporte, o país precisa definir limites claros e controles para o seu sistema nervoso digital.
Mario Viola, diretor da Scuola superiore di Polizia, advertiu que as ameaças informáticas atingem todas as camadas do Estado, das instituições às infraestruturas críticas, e, em última instância, impactam a qualidade da democracia. A proposta, segundo ele, é responder com uma visão compartilhada e competências técnicas robustas — um arcabouço de políticas públicas e formação que funcione como alicerces sólidos para a arquitetura digital nacional.
Na esfera internacional, o chefe da Polícia, Vittorio Pisani, enfatizou a necessidade de ajustar relações diplomáticas tendo em conta o comportamento de outros Estados. Pisani ressaltou que não se pode negar que ataques oriundos de países como China e Rússia têm visado diretamente infraestruturas italianas; por isso, a cooperação e a definição de limites na interação bilateral devem considerar o impacto sobre a segurança nacional.
O procurador nacional antimáfia e antiterrorismo, Giovanni Melillo, ofereceu uma leitura sistêmica: teatros de conflito sempre funcionaram como laboratórios de experimentação de novas tecnologias, onde redes criminosas são recrutadas e onde as regras de regulação são mais frágeis. Esse mecanismo, disse ele, amplia a superfície de ataque e acelera a difusão de capacidades ofensivas no mercado ilegal.
Quanto ao confronto mais recente no Oriente Médio, segundo informado pelo diretor-geral da Agenzia, Bruno Frattasi, por enquanto não há sinais de um perigo grave e iminente para a Itália no domínio cibernético. Contudo, Frattasi advertiu sobre a volatilidade do quadro: «são dados que podem mudar em poucas horas ou dias», lembrando que as avaliações devem ser contínuas e ancoradas em monitoramento em tempo real — o fluxo de dados como termômetro de risco.
A conferência CyberSec desenha, portanto, uma agenda prática: consolidar perímetros técnicos e legais, investir em formação e infraestrutura digital, fomentar a migração segura para a nuvem e reforçar alianças internacionais calibradas para a proteção das infraestruturas críticas. Em termos de arquitetura nacional, trata-se de integrar camadas de inteligência e escudos operacionais que mantenham o país resiliente, não apenas reagindo a incidentes, mas antecipando e reduzindo a superfície de ataque.
Este é o diagnóstico e a proposta apresentados em Roma: uma chamada à ação que converte a cibersegurança em política de Estado, com olhos postos tanto nas tecnologias quanto nos alicerces institucionais que as suportam.






















