Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um movimento decisivo no tabuleiro da geopolítica marítima, o destróier Iris Dena da Marina iraniana foi afundado por um torpedo Mk48 disparado por um submarino americano ao largo da costa do Sri Lanka. O episódio representa apenas o terceiro caso desde a Segunda Guerra Mundial em que uma embarcação de superfície foi destruída por um submarino: antes dele, o cruzador leve argentino General Belgrano foi atingido pelo submarino nuclear britânico Conqueror em 1982, durante a Guerra das Malvinas, e a fragata indiana Khukri foi alvo do submarino paquistanês Hangor em 1971.
O navio era um caça-torpedeiro da classe Moudge, pertencente à Frota Meridional da República Islâmica do Irã, e retornava da International Fleet Review 2026 em Visakhapatnam, na Índia. Com 94 metros de comprimento e deslocamento aproximado de 1.500 toneladas, a Iris Dena constituía um dos alicerces — ainda que frágeis — da projeção naval iraniana na região do Índico.
Do ponto de vista técnico, o navio ostentava inovações relevantes para a Marinha iraniana: foi o primeiro destróier iraniano equipado com quatro motores nacionais Bonyan 4 e possuía um número considerado “significativo” de células de lançamento vertical (VLS). Seu sistema de controle de tiro era anunciado como capaz de rastrear 40 alvos e engajar cinco simultaneamente, uma capacidade teórica que agora será objeto de escrutínio profundo.
O armamento embarcado incluía mísseis terra-ar, quatro mísseis antinavio Qader, uma peça naval Fajr-27 de 76 mm, uma peça antiaérea Fath-40 de 40 mm, duas peças Oerlikon de 20 mm, duas metralhadoras pesadas de 12,7 mm e dois lançadores triplos de torpedos de 533 mm. Para detecção, contava com um radar Asr que anunciava cobertura de 360 graus e alcance de até 300 km.
O torpedo que a afundou, o Mk48, é um artefato de alto desempenho, com custo estimado em 3,5 milhões de dólares e alcance declarado de até 70 quilômetros. Trata-se de um meio que, quando empregado com precisão, redefine a tectônica de poder em áreas marítimas congestionadas: um único tiro pode alterar rotas, escalas diplomáticas e prioridades estratégicas.
O incidente abre múltiplas frentes de análise. Primeiro, as consequências para a doutrina naval iraniana: a perda de um dos seus principais navios multifunção impõe uma revisão operacional urgente, tanto em termos de proteção de grandes unidades quanto na dispersão de ativos para mitigar riscos de ataque submarino. Segundo, o episódio é um lembrete do papel persistente dos submarinos convencionais e nucleares como instrumentos de negação e dissuasão no mar, bem como da vulnerabilidade inerente das plataformas de superfície modernas, por mais sofisticadas que sejam.
Por fim, no plano diplomático, o afundamento da Iris Dena criará ondas além da imediata perda material: exigirá respostas calibradas do Irã, provocará debate entre aliados regionais e globais e poderá redesenhar fronteiras invisíveis de influência no Oceano Índico. É um lance que expõe os alicerces frágeis da diplomacia naval e força um reexame das jogadas futuras no tabuleiro internacional.
Enquanto as investigações e as reações oficiais se desenrolam, permanece claro que a combinação entre tecnologia de ponta e decisão tática continua a ditar o ritmo da estabilidade regional — e que cada peça perdida ou ganhada no mar tem impacto direto sobre o equilíbrio estratégico global.




















