Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem onde as estações marcam ritmos e expectativas, a saúde pública italiana aparece agora em um momento de cautelosa avaliação: o Serviço Nacional de Saúde (ou SSN) obtém uma promoção com reservas, com nota média de 5,74 em 10. É como observar um pomar que ainda não atingiu toda a sua produtividade: há sinais de florescimento, mas também muitas sombras que pedem cuidado.
Dados da pesquisa “Priorità e aspettative degli italiani per un nuovo Ssn”, conduzida pela Euromedia Research e apresentada durante a oitava edição do Investing for Life Health Summit, mostram que quase metade dos cidadãos (46%) acredita que o direito à saúde — previsto pelo artigo 32 da Constituição — não é plenamente respeitado na Itália. As maiores inquietações recaem sobre listas de espera prolongadas, serviços de pronto-socorro e emergência, além da assistência hospitalar, mesmo que esses indicadores tenham apresentado uma leve melhora em relação ao ano anterior.
Entre as poucas árvores que já dão fruto, destacam-se as avaliações positivas sobre as vacinas, com nota média de 6,63 — subindo para acima de 7 entre jovens de 25 a 34 anos. Essa confiança vacinal é um sopro de ar fresco, um lembrete de como políticas públicas eficazes podem transformar o ciclo de cuidados.
Permanece, sobretudo, uma forte crença no papel da inovação. Segundo a sondagem, os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento são considerados a principal razão para o aumento da longevidade por 40% dos entrevistados. Quase metade (44%) vê os esforços da indústria farmacêutica como muito importantes, e 80% avalia o setor de saúde e farmacêutico como um motor de crescimento para a economia italiana.
O encontro em Roma, organizado por MSD Italia, reuniu representantes políticos, instituições acadêmicas, especialistas médico-científicos e associações de pacientes para debater acesso à inovação e investimentos em saúde. O diálogo reforçou a necessidade de colocar a saúde no centro da agenda política e de incentivar, sempre que possível, os aportes que sustentem novas soluções terapêuticas e preventivas.
Nicoletta Luppi, presidente e administradora delegada da MSD Italia, sublinhou: “Graças ao progresso da pesquisa científica demos nova esperança de vida a muitos pacientes e é só apostando na inovação que poderemos continuar a fazê-lo, oferecendo respostas a necessidades de saúde ainda não satisfeitas”. Luppi lembrou que o setor farmacêutico é um dos poucos segmentos industriais em crescimento estável, essencial para o equilíbrio do comércio exterior e com impacto positivo sobre o PIB. “É urgente reconhecer plenamente esse valor estratégico e continuar a destinar recursos e capital à saúde e à despesa farmacêutica, não apenas como custo, mas como motor de crescimento, sustentabilidade e competitividade”, afirmou.
Em linguagem de quem observa os ciclos da natureza, toca lembrar que investir em saúde é como cuidar de um vinhedo: poda-se o que atrapalha, rega-se onde há sede, protege-se das pragas e celebra-se a colheita quando os frutos aparecem. Hoje a colheita promete mais longevidade e inovação, mas é preciso remover os obstáculos que impedem o crescimento e a atração de investimentos, segundo a liderança presente.
O retrato que emerge é de um país que confia na ciência e na indústria como alavancas de bem-estar coletivo, mas que ainda sente nas veias o cansaço das filas e atrasos. A tarefa pública e privada é alinhar ritmos: acelerar os serviços sem perder a precisão, abrir caminhos à inovação sem abandonar a equidade. Só assim, como em um jardim bem cuidado, a saúde poderá florescer de forma duradoura e justa.






















