Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, no encontro Health Summit Investing for Life promovido pela MSD Italia, Maria Rosaria Campitiello, diretora do Departamento de Prevenção, Emergência e Pesquisa do Ministério da Saúde, lançou um alerta que soa como uma brisa fria nas praças ensolaradas do sul: ainda são poucos os jovens que conhecem a vacina contra o HPV, e a adesão está em queda nas regiões meridionais.
“A infeção por Papilomavírus humano pode gerar patologias oncológicas importantes que hoje podem ser praticamente eliminadas com uma prevenção segura que salva vidas”, disse Campitiello durante a segunda parte do painel dedicado a Preventing for life, em coincidência com o Dia Mundial de Sensibilização sobre o HPV. Como quem observa a respiração da cidade, ela destacou que esta é uma questão que atinge ambos os sexos: a infeção é contraída por cerca de 80% das mulheres e por 30% dos homens, aumentando o risco de neoplasias do colo do útero nas mulheres e de tumores genital-masculinos.
O diagnóstico claro vem acompanhado de propostas práticas: Campitiello pede maior integração entre instituições, escola e família para elevar a alfabetização em saúde, ampliando o conhecimento sobre screening, fertilidade e proteção. “Cabe às instituições — ao ministério e ao meu departamento — transmitir as mensagens corretas: a vacina contra o HPV é segura e salva vidas”, afirmou.
Ela também ressaltou o caráter desigual das coberturas vacinais: a queda de adesão no Sul pode refletir falta de formação entre os profissionais de saúde e ausência de informação eficaz para as comunidades. Como uma estação que exige cuidados específicos, essas regiões precisam de campanhas dirigidas e recursos para cultivar confiança.
O objetivo traçado é ambicioso e lírico ao mesmo tempo: tornar a Itália uma área “HPV free” na Europa, erradicando, na prática, o vírus. Para isso, o Ministério da Saúde já destinou investimentos específicos, ultrapassando o habitual 5% do fundo dedicado à prevenção no Sistema Nacional de Saúde.
Campitiello também comentou os números de uma pesquisa apresentada no evento: os italianos reconhecem o valor da prevenção e esperam um comprometimento maior do ministério. “Prevenir é um investimento”, lembrou ela — e com a clareza de quem conta as colheitas disse que investir 1 euro em prevenção tende a recuperar pelo menos 3 euros em economia de saúde. “A prevenção é o melhor remédio para viver mais e melhor”, concluiu.
Ao fim, o apelo soa como uma estação que pede plantio: entregar às regiões os recursos necessários para campanhas locais, reforçar o Plano Nacional e garantir que a mensagem chegue desde as famílias até as crianças. É com essa rede — escolas, profissionais, lares e políticas públicas — que se pode transformar a memória coletiva sobre saúde, como transformar uma paisagem de incertezas em um pomar onde a proteção floresce.






















