Por Stella Ferrari — Em um painel em Roma sobre concorrência no transporte aéreo e o papel das infraestruturas estratégicas, Pierluigi Di Palma, presidente da ENAC (Ente Nazionale per l’Aviazione Civile), reafirmou que os aeroportos italianos atuam hoje como um verdadeiro motor da economia. Segundo Di Palma, esse desempenho decorre não apenas do crescimento natural do tráfego, mas também de decisões estratégicas tomadas ao longo dos anos, entre as quais se destaca a opção por concessões de longo prazo.
Di Palma lembrou ainda a figura de Antonio Catricalà, cuja intervenção foi decisiva no seu percurso profissional: quando sua nomeação a diretor-geral da ENAC havia ficado em suspenso, ele buscou Catricalà e, poucos dias depois, recebeu a confirmação definitiva. O relato reforça como decisões e apoios institucionais moldaram a arquitetura regulatória que sustenta o setor.
Em sua intervenção, o presidente da ENAC explicitou a discussão histórica sobre a duração das concessões aeroportuárias. Enquanto a Autoridade garante da concorrência chegou a defender períodos curtos — até cinco anos —, a ENAC defendeu concessões amplas, que podem chegar a quarenta anos. Essa opção permitiu às empresas gestoras planejar e executar investimentos de grande porte, com horizonte e previsibilidade, equipando a rede aeroportuária para atender demanda crescente e padrões internacionais.
O impacto dessas escolhas é palpável: hoje a Itália movimenta cerca de 240 milhões de passageiros por ano, valor expressivo especialmente se considerarmos que o país não dispõe de uma grande companhia aérea nacional única de referência. Para Di Palma, esse cenário confirma a qualidade e competitividade do sistema aeroportuário policêntrico e integrado do país.
Como economista que acompanha a governança de infraestrutura, avalio que a estratégia de concessões longas funcionou como a calibragem fina em um motor complexo: permitiu reduzir a volatilidade de investimentos, liberar alavancas privadas e acelerar a modernização de terminais e pistas. Ao mesmo tempo, exige uma arquitetura regulatória robusta, com instrumentos que atuem como freios e contrapesos para garantir que o interesse público seja preservado ao longo de décadas.
Na prática, essa combinação de horizonte de investimento e supervisão institucional promoveu uma aceleração de tendências favoráveis: melhora na conectividade internacional, ampliação de serviços de alta qualidade e atração de fluxos turísticos e comerciais. O desafio futuro será manter essa performance frente a choques externos, pressões por sustentabilidade e a necessidade de integrar novas tecnologias de gestão das infraestruturas.
A leitura proposta por Di Palma é clara: as escolhas regulatórias de ontem — em especial a aposta em concessões de longo prazo — foram determinantes para que os aeroportos italianos atuassem como vetores de desenvolvimento. A tarefa agora é cuidar do design de políticas que assegurem que o motor continue afinado, sem perder o foco na eficiência, na competição saudável e na sustentabilidade de longo prazo.






















