Sob os holofotes de um festival que entende empresas como personagens, a quarta edição do Premio Film Impresa avançou para seu segundo dia, aprofundando o diálogo entre indústria, território e comunidade. O evento, idealizado e realizado por Unindustria em parceria com o Ministero delle Imprese e del Made in Italy, Invitalia, Confindustria e Circuito Cinema, programou um dia inteiro de projeções das opere in concorso e dois programas especiais curados por Gruppo FS e Gruppo Lavazza.
O dia começou com a exibição especial do docufilm “Andata e Ritorno”, assinado pelo Gruppo Creativo Multimedia para o Gruppo FS e dirigido por Roberto Campagna e Elena De Rosa. Antes da projeção, uma conversa entre Giampaolo Letta e Alessandra Calise — responsável por Comunicação e Relazioni Esterne do Gruppo FS — preparou o público para o recorte narrativo do filme. Ao fim, Mario Sesti conduziu um diálogo com os diretores e o elenco.
O documentário constrói, por meio de um olhar íntimo e montagem alternada, um mosaico de seis passageiros cuja viagem transforma o trem num espaço simbólico de encontro, ambição e identidade. Mais do que um veículo, o trem aparece como um espelho do nosso tempo: um micro-universo onde paisagens, conexões e trajetórias pessoais se entrelaçam — a semiótica do cotidiano aplicada à infraestrutura.
Ao longo da manhã e da tarde, sucederam-se as projeções das obras em concurso, sempre com a presença dos autores e dos representantes das empresas envolvidas. Antes das sessões principais, a curadoria apresentou também os “Corti dal Csc – Comunità e Impresa Flash”, com a exibição de Piccoli calabresi sul Lago Maggiore… Nuovi ospiti della colonia di Suna (Ermanno Olmi, 1953) e, na parte da tarde, Sud come nord (Nelo Risi, 1957). Esse recorte histórico reafirma como o arquivo cinematográfico pode funcionar como contraponto e referência para a narrativa empresarial contemporânea.
A Area Doc I, curada por UniCredit, apresentou uma seleção plural que incluiu: ‘Il sogno di Carlo’ (Matteo Bellizzi) — produção para Fundação Marazzato; ‘Aiutarsi Prevenendo’ (Alberto Di Pasquale) pela ONOFF Produzioni para DiagnostiCare Onlus; ‘Angioedema Real Life – Diario di bordo’ (direção Itaca, Ruggero Rollini) — produção The List para Takeda Italia; ‘Rosetti Marino | 100 Years Young’ (Giovanni Pitscheider) — produção Cacao Design para Rosetti Marino; ‘Le Vie del Basilico’ (Alessandro Lucente) — produção Storymakers para Barilla Group; e ‘Generazioni in crescita. 40 anni con “Lavoriamo insieme”‘ (Ruggiero Torre) — produção Meeting Planner para a cooperativa social “Lavoriamo Insieme” ETS.
Na tarde, a Area Narrativa, sob curadoria da Umana, trouxe obras que transitam entre introspecção e responsabilidade social, como ‘Mario in tHERApia – la sindrome dell’abbandono’ e ‘Mario in tHERApia – ipnosi’ (Alessio Lauria) — produção Save the Cut para Hera; ‘Il viaggio è appena iniziato’ (Riccardo Calamandrei) — produção Cooperativa Trasporti di Riolo Terme; ‘Pane Amore e Libertà’ (Rovero Impiglia e Giacomo Cagnetti) — produção Guasco para Magazzini Gabrielli; e ‘La nostra via della seta’, entre outros títulos que compuseram a programação narrativa.
O segundo dia do Premio Film Impresa confirma a premissa do festival: empresas não são apenas marcas em anúncios, mas narrativas coletivas que dialogam com comunidades, memórias e paisagens sociais. Aqui, o cinema funciona como lente e como espelho — revelando o roteiro oculto das organizações e oferecendo ao público o espaço para reinterpretar essas histórias. Em tempos de storytelling corporativo, eventos como este lembram que a relevância de uma empresa também se mede pela sua capacidade de incluir e refletir o mundo ao redor.
Chiara Lombardi para Espresso Italia






















