Por Alessandro Vittorio Romano — À sombra suave das cidades italianas, onde a manhã respira entre padarias e praças, chega um dado que não podemos ignorar: segundo a atualização do Instituto Superior de Saúde (ISS) baseada na pesquisa Okkio alla salute de 2023, 1 em cada 5 crianças de 8 e 9 anos está em sobrepeso. A publicação foi renovada no site do ISS em preparação para a Giornata mondiale contro l’obesità, que se celebra em 4 de março.
Os números desenham uma paisagem preocupante: o percentual de obesidade entre essas meninas e meninos é de 10%, enquanto a obesidade grave atinge 2,6%. Como quem observa um ciclo da natureza, é preciso ver além da estatística e entender a colheita de hábitos que leva a esse quadro.
A pesquisa evidencia rotinas alimentares e de movimento que contribuem para o problema. Quase 2 em cada 5 não fazem uma colação adequada pela manhã; mais da metade consome um lanche abundante mid-morning; 1 em 4 bebe diariamente bebidas açucaradas e gaseificadas e um número significativo consome frutas e verduras menos de uma vez por dia. Além disso, 37% das crianças ingerem leguminosas menos de uma vez por semana e mais da metade consome doces em forma de snack mais de três dias por semana.
No campo do movimento, as estatísticas também soam como um chamado: 1 em 5 não realiza atividade física regular, mais de 70% não vai à escola a pé ou de bicicleta, e quase metade passa mais de duas horas por dia diante de telas — TV, tablet ou celular. Esses hábitos são solo fértil para a progressão do sobrepeso e da obesidade.
Importante notar que a obesidade infantil aparece com maior frequência entre famílias em situação socioeconômica mais vulnerável, lembrando que saúde e bem-estar andam profundamente ligados às condições sociais, ao acesso a alimentos saudáveis e a espaços seguros para brincar e mover-se.
Como um jardineiro que observa as estações, proponho olhar para isso com cuidado sensível: pequenas mudanças na rotina — uma colação nutritiva, restituir o trajeto a pé ou de bicicleta, reduzir bebidas açucaradas e incentivar legumes e frutas — podem transformar o ciclo de hábitos das crianças. Políticas públicas e ações comunitárias, assim como escolas que integram movimento ao dia a dia, são a chuva que cultiva um terreno mais saudável.
O ISS traz números precisos; nossa tarefa, enquanto sociedade, é transformar essa informação em prática cotidiana, fazendo da infância um tempo de raízes fortes e respiração leve. Nesta véspera da Giornata mondiale contro l’obesità, que a conversa sobre alimentação, movimento e bem-estar encontre o espaço das praças, das mesas e dos recreios.






















