Em um encontro promovido pela PlanEat na Sala de Imprensa da Câmara dos Deputados, em Roma, especialistas, autoridades e operadores da restauração coletiva se reuniram para iluminar caminhos práticos rumo à redução do desperdício nas mense escolares. A iniciativa, proposta pela deputada Maria Chiara Gadda — primeira signatária da Lei 166/16 contra o desperdício — destacou que o avanço depende de planejamento, instrumentos digitais e critérios renovados nos aplicativos de compras públicas.
Os números trazem a urgência: aproximadamente três milhões de refeições são servidas diariamente nas escolas italianas, sobretudo em jardins de infância e ensino primário. Estima‑se que até 30% dessa comida não seja consumida. Em ausência de sistemas de monitoramento padronizados, torna‑se difícil obter dados precisos, o que aumenta a necessidade de ferramentas capazes de medir e prevenir o fenômeno.
Da lei à prevenção: um novo olhar sobre as compras públicas
A deputada Maria Chiara Gadda recordou que, dez anos após a promulgação da Lei 166/16, que atuou sobretudo sobre as excedências alimentares a jusante, chegou a hora de reforçar políticas públicas orientadas para a prevenção do desperdício a montante, com foco especial nos serviços escolares. “Instrumentos como os appalti pre‑commerciali e a inovação digital podem ajudar as administrações a definir capitais contratuais mais precisos para alcançar os CAM (Critérios Ambientais Mínimos), deslocando a atenção do mero critério do preço para a medição de impactos ambientais e sociais”, declarou Gadda durante o evento.
PlanEat: planejamento digital como farol prático
A PlanEat trouxe ao debate sua experiência com planejamento digital de cardápios e análise de consumos na restauração coletiva, evidenciando como ferramentas tecnológicas podem caminhar lado a lado com a educação alimentar. Foi apresentado o projeto piloto PlanEat Scuole, realizado numa cantina escolar da província de Pavia: na segunda metade do ano letivo 2024‑2025, a introdução da escolha antecipada do prato e de um sistema de planejamento orientado por dados mostrou resultados positivos, provando que inovação organizacional e educativa se reforçam mutuamente.
Entre as questões práticas debatidas, surgiu a limitação do modelo atual: muitos serviços escolares ainda operam com um menu padrão — uma única proposta sem variações — que tende a afastar o aluno do serviço de alimentação. A alternativa proposta é combinar diversidade de escolhas, sazonalidade dos ingredientes, proximidade dos fornecedores e critérios contratuais que valorizem o impacto socioambiental, não apenas o custo.
Parcerias público‑privadas e critérios claros: a estrada a seguir
O encontro sublinhou a importância da colaboração entre setor público e privado para efetivar mudanças estruturais. Inserir nos editais cláusulas que exijam ferramentas de monitoramento do desperdício e metas mensuráveis relacionadas aos CAM aparece como estratégia-chave. Além disso, experimentações pré‑comerciais e pilotos digitais permitem às administrações testar soluções antes de torná‑las obrigatórias, reduzindo riscos e iluminando caminhos replicáveis.
Como curadora de iniciativas que buscam legado e impacto, vejo neste movimento uma semente que pode florescer em práticas concretas: ao semear inovação nos cardápios, nas compras e na educação, cultivamos cidades com horizontes mais limpos e responsáveis. O desafio é traduzir vontade política e conhecimento técnico em contratos, rotinas escolares e softwares que transformem dados em decisões — um renascimento de práticas que priorizam crianças, recursos e futuro.
Em síntese, a redução do desperdício nas mense escolares depende de um mosaico de ações: planejamento digital, critérios contratuais que integrem os CAM, formação educativa e uma governança que acelere a cooperação entre atores. É tempo de iluminar novos percursos para que cada refeição conte, para as crianças e para o planeta.






















