Por Giulliano Martini — Apuração em Bergamo. Após a primeira apresentação de Ditonellapiaga no Festival de Sanremo, circulou entre profissionais e imprensa uma comparação direta com o single J’adore, de Arianna Rozzo. Quem relata o episódio é o manager e editor da artista, Fabrizio Frigeni, que acompanhou a carreira de Arianna por mais de uma década na Italian Music Academy.
“Assim que Ditonellapiaga terminou a sua performance, comecei a receber um mar de telefonemas: colegas, discográficos, jornalistas presentes na sala de imprensa de Sanremo que me conhecem”, disse Frigeni. Muitos reconheceram em Che fastidio — o tema tocado por Ditonellapiaga — pontos de contato com J’adore. Vídeos e comparações proliferaram em redes sociais: tiktokers e youtubers chegam a mixar os dois temas em mashups.
Frigeni foi taxativo ao diferenciar similaridade de plágio: “Não se trata de um plágio — que significa copiar uma sequência de modo idêntico. No caso de Ditonellapiaga e Arianna existe um ligação estilística: velocidade do refrão, uso de vozes e contra-vozes, e um certo desenho melódico. O impranto artístico é parecido.”
Os dois temas, no entanto, abordam campos distintos. J’adore, escrito por Arianna Rozzo com o produtor Francesco James Dini (Studio1901), mistura r’n’b, pop e referências mediterrâneas e narra as dificuldades dos jovens contemporâneos — encontrar emprego, ser remunerado de forma justa. Já Che fastidio, terceiro colocado em Sanremo e vencedor do Prêmio Bigazzi de melhor composição musical, lista irritações cotidianas com ironia cortante sobre bases eletrônicas e pop dance.
“Há uma irreverência compartilhada — explica Frigeni — Se Ditonellapiaga canta ‘che fastidio’, Arianna replica ‘me ne fotte proprio’. A nota curiosa é que Arianna se inspira na colega romana; ela admira a capacidade de atualizá-lo, de trazer do submundo musical referências que ganham significado contemporâneo, como Tarantino faz no cinema.”
Biografia resumida para contexto: Arianna Rozzo, nascida em Caserta (2002) e criada entre Nápoles e Bergamo, com formação em Nanotecnologias pelo Politecnico, foi finalista do Prêmio Lunezia em 2021, assinou composições para a série Netflix “Di4ri” e foi semifinalista em Sanremo Giovani em dezembro de 2024.
Frigeni acrescenta que a coincidência estética é recebida com naturalidade e até como um indicador de caminho certo: “Não nos causa nenhum incômodo. Pelo contrário. É motivo de orgulho: significa que estamos no caminho certo.”
Do ponto de vista profissional, a situação segue sob observação pública e digital — multiplicam-se comparações e montagens, mas, até o momento, não há qualquer procedimento jurídico ou acusação formal de plágio. O caso permanece dentro do âmbito artístico e midiático, com ambos os trabalhos sendo avaliados por sua recepção junto ao público e crítica.
Relato objetivo, cruzamento de fontes e declarações diretas: a realidade traduzida para o leitor que busca o fato puro e verificado.






















