David Rossi, ex-responsável pela comunicação do Monte dei Paschi di Siena (Mps), não teria cometido suicídio, segundo indica a relação interina da comissão parlamentar de inquérito que investigou sua morte. A conclusão emerge da primeira perícia técnica realizada pelo tenente‑coronel Adolfo Gregori, dos RIS de Roma, e do médico‑legista dr. Robbi Manghi, cujos documentos constam na minuta aprovada pela comissão presidida pelo deputado Gianluca Vinci (FdI).
As análises periciais, conforme resumidas na documentação, descrevem um quadro factualmente preciso: antes da queda, Rossi estaria “suspenso no exterior da janela do seu escritório, retido pelos dois punhos e, nos últimos instantes, apenas pelo braço esquerdo, com mãos de terceiros aprisionando o pulso”. A perícia registra sinais de uma tentativa vigorosa de segurar e suspender o corpo, com equimoses no pulso e braço direito (descritas tecnicamente como vibici), coerentes com ação de outrem.
A segunda perícia, com foco nas lesões faciais, aponta que David Rossi sofreu ferimentos no rosto imediatamente antes da queda, numa posição descrita como genuflexa, considerados incompatíveis com um ato voluntário autolesivo. Em linguagem técnica, os laudos sublinham que permanece por identificar com certeza o motivo dessa sequência de fatos.
A comissão monocameral, criada em 5 de março de 2024, compilou esses elementos em uma relação interina aprovada após quase um ano e meio de trabalhos. Estão registradas 42 reuniões plenárias, 33 audiências com familiares, advogados, consultores, jornalistas, funcionários atuais e antigos do Mps e do município de Siena, além de 33 reuniões do escritório de presidência integradas pelos representantes dos grupos parlamentares. O balanço operacional soma cerca de 46 horas de sessão, incluindo as plenárias da comissão.
Em missão técnica a Siena, a delegação da comissão visitou a sede do Monte dei Paschi di Siena em Rocca Salimbeni, acessou a sala de trabalho de Rossi e os ambientes adjacentes ocupados pela sua equipe, além das vias contíguas à sede. A delegação deverá regressar a Siena na sexta‑feira, 6 de março, data do décimo terceiro aniversário da queda de Rossi, quando a relação interina será apresentada publicamente em evento aberto no Arquivo de Estado de Siena.
Os peritos citados — Adolfo Gregori e dr. Robbi Manghi — sustentam, em termos técnicos, que as lesões e marcas no corpo e no rosto são compatíveis com interposição de terceiros e resistência anterior à queda. A comissão registra, contudo, que ainda falta estabelecer, com certeza probatória, o motivo que teria levado àquela sequência.
Do ponto de vista processual e jornalístico, a documentação agora divulgada reconfigura o quadro investigativo, deslocando o foco da hipótese inicial de suicídio para elementos que exigem aprofundamento: identificação de responsáveis, dinâmica precisa dos fatos nas imediações da janela e cruzamento final de provas periciais, testemunhais e de imagens. A apresentação pública em 6 de março pretende tornar acessível ao escrutínio cidadão as peças centrais dessa investigação parlamentar, resultado de apuração in loco e do cruzamento de fontes técnicas.
Apuração rigorosa e técnica: a comissão mantém a prioridade na verificação dos fatos brutos e na elucidação do que as perícias qualificam como intervenção de terceiros na morte de David Rossi.






















