Por Aurora Bellini — Em tom claro e preocupado, Gianluca Bufo, CEO e diretor geral do grupo Iren, alertou para os efeitos amplos do recente bloqueio da Comissão Europeia ao modelo de Parceria Público-Privada (PPP). A declaração foi proferida durante a conferência “Umanizzare il trilemma dell’energia”, realizada no Senado e promovida por Oliver Wyman e Wec Italia.
Segundo Bufo, o veto europeu atinge de forma transversal setores inteiros que operam em colaboração com a administração pública — desde serviços essenciais e obras públicas até projetos de eficiência energética em saúde. “O fim do PPP não é apenas uma questão setorial; corta o tecido que conecta capacidade técnica e projetualidade ao serviço público”, explicou o executivo, ilustrando como essas parcerias foram históricas para o desenvolvimento de economias locais.
O CEO da Iren ressaltou que a Parceria Público-Privada funcionou como um instrumento cross-setorial que permitiu ao país realizar investimentos e montar projetos que muitas administrações territoriais não teriam estrutura técnica para idealizar e gerir por conta própria. “Não se trata de facilitar burocracia: trata-se de trazer competências industriais e tecnológicas para servir o público”, afirmou Bufo, numa imagem que ilumina a ideia de integrar saberes privados em prol do bem comum.
Como exemplo prático, Bufo citou o caso do setor hidrelétrico no Piemonte. A Iren antecipou movimentos sobre a renovação de concessões vencidas em 2010 e enfrentou três anos de recursos judiciais. “Desde 2010 garantimos investimentos de manutenção em condições ordinárias — não extraordinárias — preservando ativos essenciais para o território”, disse o executivo, sublinhando o papel do investimento contínuo para a resiliência das infraestruturas.
Na proposta original de PPP, havia também a previsão de reservar uma parcela significativa da produção — cerca de 25% — a preços controlados para beneficiar as comunidades locais. Bufo apontou caminhos adotados por outros países, citando a Espanha como referência por reconhecer maior premialidade ao proponente vencedor em licitações, como mecanismo para equilibrar retorno e benefício público.
Reconhecendo a complexidade do código de contratos públicos na Itália, Bufo admitiu que não é óbvio transferir soluções estrangeiras de forma direta. Ainda assim, defendeu que é urgente encontrar uma alternativa prática para o PPP, porque sua função histórica foi consolidar projeto e competência industrial em favor da administração e do território — uma luz de possibilidade para semear inovação e sustentabilidade nas políticas de energia.
Em tom conclusivo, o executivo convocou o setor público e privado a dialogarem por soluções que preservem investimentos, eficiência e proteção dos interesses locais. É um apelo a iluminar novos caminhos: integrar técnica, financiamento e propósito público para garantir um horizonte límpido às próximas gerações.






















