Washington – O Pentágono admitiu formalmente o emprego do software Claude, desenvolvido pela empresa de inteligência artificial Anthropic, no planejamento — em coordenação com Israel — do ataque realizado contra o Irã em 28 de fevereiro. Segundo comunicados de fontes oficiais americanas e relatos da imprensa internacional, a ferramenta de IA foi utilizada para rastreamento de alvos, processamento e consolidação de avaliações de inteligência fornecidas pela CIA e pelo Mossad, e para a simulação de cenários operacionais.
O episódio representa um movimento decisivo no tabuleiro da tecnologia bélica: a integração de sistemas de aprendizado de máquina às tradicionais cadeias de inteligência e tomada de decisão militar. Na arquitetura clássica da segurança internacional, trata-se de uma nova camada — digital e veloz — que altera a velocidade e o alcance das escolhas estratégicas.
Como se desenhou a operação
Fontes norte-americanas descrevem uma operação preparada durante meses e acelerada por uma informação considerada de alta fidelidade. Segundo apurações do The New York Times, a CIA teria monitorado os deslocamentos do líder supremo Ali Khamenei, localizando com precisão sua presença poucas horas antes do ataque conjunto. A informação sobre a participação de Khamenei em uma reunião matinal no complexo institucional que abriga a Presidência, os escritórios da Guida Suprema e o Conselho Nacional de Segurança foi compartilhada com Telavive, antecipando a janela de atuação.
De acordo com relatos, os caças decolaram por volta das 6h (hora israelense) e, próximo às 9h40 (hora de Teerã), mísseis de longo alcance atingiram o complexo. A televisão estatal iraniana confirmou, posteriormente, a morte da Guia Suprema; entre as vítimas teria sido citado também o ex-presidente Mahmud Ahmadinejad. Uma fotografia amplamente divulgada que supostamente mostraria o corpo de Khamenei foi depois identificada como uma falsa imagem gerada por IA.
Perfil da ação: precisão e saturação
Analistas citados pela Fox News traçaram a operação como uma estratégia em “dois níveis”: emprego de armamentos de precisão para neutralizar o objetivo principal, combinado com onadas de drones descartáveis — os chamados “one-way” — de baixo custo para sobrecarregar as defesas antiaéreas e atingir bases de lançamento de mísseis, centros de comando e sistemas de radar. O CENTCOM confirmou o uso operacional desses drones.
O uso de uma IA como o Claude na fase de planejamento implica não apenas eficiência na triagem e correlação de dados de múltiplas fontes (humana e técnica), mas também a capacidade de gerar milhares de simulações de resultado em minutos. Essa dinâmica reduz a janela de ponderação estratégica e aumenta a pressão por decisões rápidas — um efeito tectônico sobre os alicerces da diplomacia tradicional.
Implicações estratégicas e riscos
Para a comunidade de segurança, as consequências são múltiplas: escalada de riscos de erros por dependência algorítmica, aceleração de cronogramas operacionais e dificuldades adicionais para a contenção diplomática. No campo mais amplo da guerra híbrida, já se discute o entrelaçamento entre teatro iraniano, o vínculo indireto com conflitos como o da Ucrânia e redes criminosas na América Latina, que alteram o mosaico logístico e a propagação de capacidades militares não convencionais.
Do ponto de vista geopolítico, o emprego de IA nos bastidores de uma operação desse calibre redesenha linhas de influência invisíveis e impõe um novo código de conduta — ainda por ser escrito — entre grandes potências. É um movimento que exige respostas políticas e institucionais tão rápidas quanto as que a própria tecnologia permite.
Assinado,
Marco Severini
Analista sênior de geopolítica e estratégia internacional — Espresso Italia






















