Por Alessandro Vittorio Romano — Roma, 02/03/2026.
Na suavidade do cotidiano hospitalar, onde cada gesto é como uma pequena colheita de cuidados, a Breast Unit do Policlinico Universitario Tor Vergata, liderada pelo Prof. Oreste Claudio Buonomo, realizou um avanço que combina precisão técnica e respeito pelo corpo: a primeira mastectomia endoscópica com linfadenectomia seletiva e reconstrução mamária realizada em paciente acordada, sob anestesia loco-regional.
Diferente da imagem tradicional de incisões extensas sobre a mama, a técnica empregada exige apenas uma pequena abertura de cerca de 3 centímetros na região da axila. Por meio de instrumentos endoscópicos mini-invasivos, a equipe preservou a integridade cutânea do seio, evitando cortes visíveis na superfície mamária e oferecendo um resultado estético muito mais favorável. É como preservar a pele do fruto enquanto se trabalha delicadamente em seu interior — uma respiração cuidadosa entre oncologia e estética.
O uso de anestesia loco-regional permitiu que a paciente permanecesse acordada durante o procedimento, sem necessidade de intubação nem anestesia geral. Isso reduz o impacto sistêmico, diminuindo o estresse para o organismo e acelerando a recuperação funcional: a paciente recebeu alta em menos de 24 horas — uma verdadeira tradução prática do que podemos chamar de dimissão em 24 horas. Alguns minutos após o término da cirurgia, retornou o movimento, a sensação e a possibilidade de retomar os pequenos rituais do dia a dia.
Segundo a equipe do Tor Vergata, a abordagem objetiva “reduzir o impacto cirúrgico sem comprometer a radicalidade oncológica”, um equilíbrio delicado entre segurança terapêutica e qualidade de vida. Em outras palavras, preservar o essencial sem descuidar do decisivo: remover o tumor com margem adequada e proteger a paciente das consequências físicas e emocionais de cicatrizes amplas.
Quais são as vantagens práticas dessa técnica? Menor dor pós-operatória, risco reduzido de complicações relacionadas à anestesia geral, cicatriz externa mínima e retorno mais célere às atividades habituais. Para muitas mulheres, isso significa menos interrupção da rotina, menos ansiedade associada à recuperação e uma autoestima menos abalada — como se o corpo guardasse suas raízes enquanto a vida segue fora do hospital.
É importante lembrar, porém, que não se trata de uma solução universal. A indicação depende do estadiamento da doença, das características anatômicas e das avaliações multidisciplinares da unidade de mama. Nem toda paciente será candidata; a seleção é feita com cuidado, respeitando os ritmos internos de cada organismo.
Para o observador sensível, esse avanço simboliza também uma mudança cultural: a medicina que trabalha como jardineiro atento, podando quando necessário, mas sempre respeitando o desenho natural da planta. No caso do câncer de mama, conservar a pele do seio é também preservar memórias, intimidade e a sensação de integridade corporal.
O episódio no Tor Vergata reafirma que inovações técnicas e compaixão podem caminhar juntas. A técnica da mastectomia endoscópica em paciente acordada amplia o repertório terapêutico e convida equipes e pacientes a conversarem sobre caminhos menos invasivos para enfrentar a doença — caminhos que cuidam tanto do corpo quanto da paisagem interna do viver.
Para mais informações sobre critérios de indicação e resultados a longo prazo, a recomendação é procurar a equipe especializada da unidade de mama do seu centro de referência.






















