Ciao, viajante curioso — aqui é Erica Santini, trazendo notícias que queimam como café forte: a beleza e a memória de um país ferido. Em Florença, no salão Tourisma dedicado à arqueologia e ao turismo cultural, foram apresentadas estimativas oficiais da Unesco que revelam a extensão das perdas provocadas pela guerra na Ucrânia. São números que nos fazem pausar e respirar fundo diante da fragilidade do patrimônio cultural.
Segundo os dados, compilados e divulgados no site da Unesco em 23 de fevereiro e trazidos ao público pela primeira vez em um evento, cerca de 522 sítios culturais foram danificados até 25 de fevereiro. Entre esses estão edifícios históricos, monumentos, bibliotecas, teatros, edifícios religiosos e museus — verdadeiros portais da memória coletiva agora marcados pelo conflito.
O valor estimado dos prejuízos chega a aproximadamente 4,5 bilhões de dólares, uma cifra que traduz em números o que há de mais sensível em uma nação: suas histórias, suas tradições, a textura do tempo nas paredes das cidades. Em Firenze, Chiara Dezzi Bardeschi, chefe da antena da Unesco na Ucrânia, destacou que estamos entrando no quinto ano da guerra, com consequências devastadoras para a sociedade civil.
Ela recordou dados humanos que ecoam tanto quanto as pedras danificadas: cerca de 15.000 civis mortos, mais de 6 milhões de refugiados e cerca de 4,8 milhões de deslocados internos. Esses números não são frios — são rostos, saudades, ruas vazias e bibliotecas cujas páginas sofreram com o impacto do conflito.
Como curadora de experiências e amante do Bel Paese, vejo nessa cena uma lição sobre a urgência de proteger o que nos torna humanos. O relatório da Unesco não é apenas uma estatística; é um chamado para iniciativas de restauração, preservação e solidariedade cultural. Andiamo — precisamos unir esforços para que esses lugares possam voltar a exalar suas histórias, seus perfumes de papel antigo, o eco das vozes nos teatros e o silêncio sagrado das igrejas.
Ao final do painel em Florença, ficou claro que a intervenção internacional e a cooperação entre instituições serão essenciais para a reconstrução do tecido cultural ucraniano. É uma jornada longa, que exige paciência, técnica e, sobretudo, um compromisso ético com a memória coletiva. Que possamos, como visitantes ou cidadãos do mundo, apoiar projetos que devolvam à Ucrânia o direito de saborear sua história em paz.
Permanecerei atenta às próximas atualizações e trarei, aqui, relatos que celebrem a resistência da cultura e das pessoas. Dolce far niente? Não agora — mas sim o doce trabalho de preservar e reconstituir o que ama. Até breve, e grazie por estar comigo nesta vigília sensorial e solidária.






















