Ciao, sou Erica Santini. O que devia ser férias de sonho transformou-se, para muitos, num cenário de tensão e incerteza no Médio Oriente e no Golfo. Nos últimos dias, viajantes no Dubai, em Doha e noutros destinos turísticos viram-se obrigados a refugiar-se dentro dos seus alojamentos enquanto as autoridades locais aconselham todos a permanecer em casa.
Relatos partilhados nas redes sociais descrevem noites e dias de ansiedade: explosões ao longe que fazem estremecer os vidros, mísseis e drones a sobrevoar cidades, e evacuações relâmpago. Visitantes e residentes têm sido orientados a manter-se afastados de janelas, portas e espaços abertos — instruções simples, mas carregadas de medo quando se está longe de casa.
O emblemático hotel de cinco estrelas Fairmont The Palm, no Dubai, ardeu depois de destroços caírem do céu durante um ataque com mísseis iranianos no sábado, segundo relatos locais. Também os aeroportos do Dubai e de Abu Dhabi foram atingidos por destroços de drones no mesmo dia, episódio que, de acordo com as autoridades, provocou a morte de uma pessoa e feriu cerca de uma dúzia de outras.
Com o espaço aéreo encerrado e operações suspensas nos aeroportos do Golfo pelo terceiro dia consecutivo, centenas de milhares de viajantes ficaram num limbo — sem previsão de regresso. Para quem estava de férias, a sensação é de um roteiro interrompido: voos cancelados, ruas vazias, restaurantes fechados e um silêncio cortado por ruídos de impacto que ninguém espera ouvir enquanto toma um aperitivo.
Nas redes, vozes diversas partilharam impressões angustiantes. A campeã britânica de culturismo Sim J Evans publicou desde o Dubai enquanto aguardava notícias do seu voo para Nova Iorque, descrevendo edifícios a tremer e explosões que faziam vibrar os vidros. A criadora de conteúdos australiana Isabella-Rae Banda relatou o choque de uma viagem que passou, num minuto, de vídeos de compras a mensagens desesperadas sobre um edifício bombardeado em frente ao hotel.
Denise Curran, da Irlanda do Norte, conta que, durante umas férias em família no emirado, tentaram sair para comer e foram imediatamente instruídos a regressar ao hotel. “Estou a tentar sorrir e fingir que está tudo bem à frente dos meus filhos… mas estou aterrorizada”, escreveu nas redes sociais, evocando a dificuldade de manter a calma em situações de perigo.
Especialistas observam que, historicamente, o Dubai era apresentado como um oásis de estabilidade numa região muitas vezes conturbada. “A própria essência da cidade assentava em ser um oásis seguro”, comentou Cinzia Bianco, especialista em Golfo Pérsico, refletindo sobre a perturbação dessa imagem e sobre os desafios que se seguem para mostrar resiliência.
Enquanto as autoridades pedem calma e permanecem as orientações de segurança — ficar em interiores, longe de janelas e portas —, muitos turistas aguardam, no interior dos seus hotéis, notícias sobre voos e condições de retorno. É um momento em que a paisagem turística e a rotina do viajante são substituídas por uma vigilância silenciosa, onde cada barulho é sentido na pele e na memória.
Para os que estão longe de casa, a recomendação é clara: seguir as instruções das autoridades locais, manter-se informado pelos canais oficiais e cuidar uns dos outros. E para nós, que observamos essa paisagem com o olhar de quem ama viajar, resta a esperança de que a calma retorne logo — para que possamos, outra vez, saborear a luz dourada das cidades e o Dolce Far Niente sem medo.






















