Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a Procuradoria de Milão indagou Pietro M., o condutor do bonde nº 9 que se envolveu no descarrilamento ocorrido na última sexta-feira em Viale Vittorio Veneto. O motorista é alvo de investigação por homicídio culposo, lesões e desastre ferroviário, todos classificados como delitos por negligência.
Por ordem da procuradora Elisa Calanducci, agentes da Polícia Local de Milão compareceram hoje à sede da ATM para apreender documentos e registros considerados essenciais para a reconstrução do que ocorreu antes do sinistro. Em foco estão as comunicações entre o condutor e a Sala Operativa da empresa.
O objetivo das diligências, segundo o despacho do Ministério Público, foi verificar as condições de saúde do indiciado no momento do acidente e apurar se o motorista havia informado à Sala Operativa de eventuais anomalias ou problemas no serviço. As autoridades ressaltam que, na Sala Operativa da ATM, são registradas e arquivadas brochuras e gravações das chamadas realizadas entre a central e os motoristas — materiais que o Ministério Público considera “necessários para reconstruir os fatos ocorridos nos instantes que antecederam o sinistro”.
De acordo com o boletim da Polícia Judiciária assinado pela equipe de Intervenções Especiais da Polícia Local de Milão, esses registros podem esclarecer se houve comunicação de falhas ou sinalizações ignoradas pelo condutor.
O próprio Pietro M. relatou ter sofrido um mal-estar no momento do descarrilamento. Ele recebeu alta do Policlinico com prognóstico de dez dias por traumatismo craniano e por uma síncope vasovagal — perda temporária de consciência que pode se dever a stress, dor ou outras causas.
Na acusação formal, a Procuradoria sustenta que o motorista seguia a uma “velocidade tão elevada que provocou o descarrilamento do veículo”, que colidiu com o edifício no ângulo entre Viale Vittorio Veneto e via Lazzaretto, configurando o crime de desastre ferroviário. O texto do enquadramento aponta ainda que Pietro M. “omitiu-se de regular adequadamente a velocidade do veículo ao aproximar-se de uma parada e da interseção”, e que, por negligência, imprudência e inaptidão, não percebeu que o desvio ferroviário imediatamente antes da interseção estava acionado para a esquerda — em vez da posição ‘direita’ — e converteu à esquerda em alta velocidade, provocando o descarrilamento.
Houve também uma correção sobre a identificação das vítimas. O procurador de Milão, Marcello Viola, informou que o homem inicialmente dado como falecido não é o senegalês de 56 anos Abdou Karim Touré; Touré está internado em código vermelho. O falecido é o passageiro Ferdinando Favia. A outra vítima fatal é uma pessoa de origens africanas cuja identidade ainda está sendo confirmada; a equipe responsável busca parentes para comunicar o óbito.
As investigações prosseguem com a análise técnica do material apreendido na ATM, laudos médicos e laudos periciais do veículo e do local do acidente. A apuração seguirá os trâmites para esclarecer se o descarrilamento decorreu exclusivamente de uma falha humana, de problemas mecânicos, de sinais ou de uma combinação desses fatores.





















