Por Stella Ferrari — A economia italiana mostrou em 2025 uma marcha mais lenta do que as projeções anteriores, com reflexos imediatos sobre as contas públicas e a pressão sobre famílias e empresas. Segundo os dados preliminares do Istat, o Produto Interno Bruto registrou um modesto crescimento de +0,5%, abaixo da estimativa anterior de +0,7%.
Esse freio no desempenho econômico complica a já delicada calibragem de juros e as estratégias fiscais do governo. Embora o déficit-para-PIB tenha recuado para 3,1% (de 3,4% em 2024), a relação ainda permanece acima do limiar de 3% definido pelo pacto de estabilidade europeu — um detalhe técnico que tem peso imediato nas margens de manobra política e orçamentária de Roma.
O crescimento aquém do esperado e a recomposição do débito traduziram-se em aumento do endividamento: a dívida pública subiu para 137,1% do PIB, contra 134,7% no ano anterior. O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, atribuiu parte do desvio ao efeito residual do superbonus condomíni — antigas medidas de incentivo à construção que teriam gerado um “colpo di coda” nas estatísticas fiscais — e ressaltou que os números ainda são provisórios, sujeitos à verificação da Eurostat.
Um ponto crítico é que a permanência sob vigilância da Comissão Europeia pode impedir a ativação da cláusula de salvaguarda necessária para financiar os compromissos de defesa: o governo pretende alocar 12 bilhões de euros em três anos no setor militar, conforme acordos da OTAN, sem cortar a despesa social. O vice-primeiro-ministro Antonio Tajani afirmou que o Executivo vai manter o empenho internacional e espera que as validações finais possam alterar o quadro.
No plano doméstico, chama atenção o aumento da pressão fiscal, que subiu para 43,1%, um acréscimo de 0,7 ponto percentual em relação a 2024. A elevação provocou forte reação de partidos de oposição e sindicatos. Elly Schlein, secretária do Partido Democrático, enfatizou a perda do poder de compra nos últimos quatro anos e o aumento de 25% no preço dos alimentos no período, cobrando um salário mínimo e novas políticas industriais.
Críticas mais duras vieram do Movimento 5 Estrelas e de figuras como Pier Luigi Bersani. O ex-ministro Stefano Patuanelli contestou o uso do superbonus como bucha de canhão, enquanto a deputada Emma Pavanelli classificou a gestão como “austeridade falimentare”. Bersani foi enfático ao qualificar os dados como uma “Caporetto del governo” — metáfora bélica que sublinha o risco sistêmico representado por crescimento fraco e aumento do endividamento.
O próximo capítulo será escrito em Bruxelas: a Eurostat tem prazo até 22 de março para examinar as cifras preliminares, e a decisão política da Comissão Europeia sobre eventuais procedimentos e flexibilidades orçamentárias ainda está por vir. Para investidores e gestores, os números reforçam a necessidade de reinterpretar o “motor da economia” italiana e reavaliar a estratégia de longo prazo em termos de receitas, despesas e reformas estruturais.






















