Giulliano Martini — A ação coordenada entre os Carabinieri e forças de segurança de cerca de 30 países revelou uma ampla rede dedicada ao tráfico de medicamentos ilegais, à falsificação de prescrições e à distribuição de substâncias dopantes. A operação, codinome Shield VI, identificou 5 laboratórios clandestinos, 10 centros de montagem e resultou no apreendimento de milhões de unidades de produtos farmacêuticos e dopantes.
Segundo o balanço oficial, foram apreendidas mais de 10 milhões de unidades entre fármacos e preparações em múltiplas formas farmacêuticas (comprimidos, cápsulas, ampolas etc.). Além disso, dispositivos médicos e suplementos alimentares apreendidos têm valor comercial estimado em cerca de 33 milhões de euros. No total, 3.354 pessoas foram denunciadas às autoridades judiciais em diferentes países.
As investigações conjuntas com a Agência de Alfândegas italianas resultaram na apreensão, nos principais centros de triagem de correios e transportadoras, de mais de 120.000 unidades de medicamentos. Em diligências de campo foram também sequestradas aproximadamente 2.800 embalagens e 18.000 unidades posológicas contendo princípios ativos de indicações diversas — entre eles medicamentos emagrecedores, antibióticos, anti-inflamatórios, fármacos para disfunção erétil e produtos à base de botulino.
Especificamente relacionados ao esporte, foram confiscadas cerca de 1.800 embalagens e 4.500 unidades posológicas de produtos com ação dopante, destinados ao uso por atletas. As rotas e origens do material ilícito envolveram diversos países, entre eles Reino Unido, Coreia e China, conforme o levantamento internacional.
O Comando Carabinieri per la Tutela della Salute assumiu papel central na investigação, atuando como co-líder nas coordenações da Europol. Essa posição permitiu à unidade integrar a “cabina de regia” — composta também pela Gendarmaria Nacional Francesa, Polícia da Grécia e Guardia Civil da Espanha — e dirigir as atividades operacionais e o planejamento estratégico entre os países participantes.
Uma frente de investigação de destaque focou no combate ao doping em eventos esportivos, tanto amadores quanto profissionais. Os inspetores antidoping vinculados aos NAS executaram 49 verificações durante competições, com 145 atletas verificados e 3 resultados positivos. Em controles realizados fora de competição (out of competition), 10 atletas foram testados e 4 apresentaram positividade para substâncias proibidas.
Também foi expressivo o trabalho de vigilância sobre vendas online: o Ministério da Saúde italiano emitiu quase 100 ordens de bloqueio contra sites que ofereciam medicamentos de forma ilegal, medida considerada essencial para reduzir o mercado negro digital que abastece consumidores e redes criminais.
Do ponto de vista técnico e operacional, a operação Shield VI demonstra a complexidade e a escala do fenômeno: laboratórios clandestinos capazes de manufaturar compostos que variam do analgésico opióide oxycodone a medicamentos contendo semaglutide, até produtos manipulados com finalidade estética e esportiva. O cruzamento de fontes e a coordenação multinacional foram determinantes para interromper cadeias logísticas e identificar responsáveis em diversos elos.
Este é um raio-x do cotidiano criminoso que mistura riscos sanitários e fraude econômica: a presença de substâncias controladas fora de canais regulados expõe usuários a riscos graves de saúde e compromete a integridade do esporte. A continuidade das ações será necessária para desarticular remanescentes da rede e coibir a oferta ilegal em plataformas digitais.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e fatos brutos — Espresso Italia.






















