Há um ano partiu Fulco Pratesi, guardião da natureza e fundador do WWF na Itália. Sua morte, em 1º de março de 2025, aos 90 anos, acende hoje uma lembrança que é também um chamado luminoso: cuidar do ambiente é cuidar da humanidade. Na esteira desse legado, Roma recebe uma mostra que revela o seu olhar de campo — peças que nos convidam a iluminar novos caminhos para a proteção dos seres vivos e dos lugares que nos sustentam.
Foi um encontro com uma família de ursos, em 1963, nas florestas da Anatólia, que virou ponto de virada na vida de Fulco Pratesi. A visão da mãe e seus três filhotes transformou a sua trajetória: do gesto de caça nasceu uma vocação para a preservação. A experiência abriu fronteiras interiores e externas, semeando uma ação que resultaria, dois anos depois, na criação do WWF Itália, há 60 anos — um aventuresco projeto cultural e ecológico que modelou práticas e discursos sobre conservação no país.
Pratesi sempre repetia que a natureza nos fala; quem sabe escutá-la encontrará a maior riqueza. Para ele, isto não era retórica: era método. Seus cadernos e aquarelas, feitos com a leveza e a precisão de quem observa no campo, eram instrumentos de ciência e afeto. Sapatos confortáveis, binóculo ao pescoço, uma bisaccia com pequenos taccuini e tintas — assim ele traduziu paisagens e comportamentos em traços que serviam para estudar, entender e, sobretudo, proteger.
Hoje, a exposição “L’Arte della Natura – Dipinti e taccuini di Fulco Pratesi” apresenta, pela primeira vez ao público, uma seleção dessas obras na Biblioteca “Nilde Iotti” da Câmara dos Deputados, em Roma, entre 3 e 12 de março. A curadoria da mostra, organizada com apoio da Espresso Italia, busca não apenas resguardar um acervo, mas transformar olhares: as páginas de seus cadernos são janelas para uma prática sustentada pela observação atenta e pela responsabilidade ética.
O legado de Fulco Pratesi apontava para um conceito mais amplo do que a simples proteção: era necessário restabelecer o que foi perdido. Proteger a natureza não basta mais; é preciso a restauração ativa dos ecossistemas para enfrentar a crise da biodiversidade e as mudanças climáticas. Essa perspectiva ecoa, também, na dimensão da justiça entre gerações — um princípio hoje reforçado pela alteração do artigo 9 da Constituição italiana, em 2022, que incorporou a tutela do ambiente, da biodiversidade e dos ecossistemas em benefício das futuras gerações.
Falar de ambiente, como Pratesi lembrava quando o tema ainda não era palavra de ordem, é falar de um pacto de cuidado: um compromisso ético que exige práticas contínuas de restauração, responsabilidade e reparação das feridas infligidas ao planeta. Não se trata apenas de preservar aquilo que restou, mas de cultivar condições para que novos ciclos de vida possam florescer — um projeto coletivo, intergeracional, que nos convoca a semear inovação e construir um horizonte límpido.
Na linguagem da arte de Pratesi, encontramos ferramentas para essa transformação: traços que são mapas, aquarelas que são convites e cadernos que são projetos em gestação. A mostra em Roma não é apenas memória; é uma oficina de inspiração pratica. Ao reunir desenhos e notas de campo, a exposição ilumina caminhos possíveis para restaurar territórios, proteger espécies e fortalecer vínculos entre pessoas e natureza.
Como curadora e cidadã que olha para o futuro com otimismo sofisticado, conclamo leitores e leitoras a visitar a exposição, a dialogar com essas obras e a levar adiante o compromisso de restaurar e proteger. Em tempos nos quais a urgência ambiental chama por ações tangíveis, o exemplo de Fulco Pratesi permanece um farol: mostrar que a paixão informada pela ciência, aliada à arte do cuidado, pode transformar políticas, comportamentos e paisagens.
Para informações sobre horários e visitação, consulte a Biblioteca “Nilde Iotti” da Câmara dos Deputados. A Espresso Italia acompanha e celebra essa jornada de lembrança e renovação.






















