Teerã — O Irã entrou em uma fase de transição institucional e estratégica após o mortal ataque conjunto de Estados Unidos e Israel que, segundo a televisão estatal iraniana e agências locais, resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei. No mesmo ataque, morreu também o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. A confirmação oficial da televisão da República Islâmica adiciona peso à magnitude do acontecimento, que redesenha — de modo abrupto — um tabuleiro geopolítico já tenso.
Os bombardeios contra o país continuam. Fontes iranianas relatam explosões repetidas em Teerã, Qom, Isfahan, Karaj e Kermanshah. As forças israelenses informaram que, apenas nas primeiras fases da campanha aérea conjunta com os EUA, aviões israelenses lançaram cerca de 1.200 munições, enquanto as forças americanas teriam realizado aproximadamente 1.050 ataques contra alvos no território iraniano. Do lado iraniano, há respostas com lançamento de foguetes e drones, em uma dinâmica de ação e reação que intensifica a instabilidade regional.
O atentado que tirou a vida do líder supremo ocorreu no distrito de Narmak, em Teerã. As autoridades iranianas informaram que Ali Khamenei morreu junto de familiares próximos — entre eles a filha, o genro e uma neta — o que amplia o impacto simbólico e social do acontecimento.
No plano institucional, enquanto não for escolhido um novo líder supremo, quem assume a condução do país é um conselho interino. Um porta-voz do Conselho dos Guardiães informou que o agrupamento provisório será composto pelo presidente da República, Massoud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Gholamhossein Ejei, e por um jurista indicado pelos Guardiães. Esse conselho ficará à frente do governo até a eleição do novo guia supremo pela Assembleia dos Especialistas, conforme prevê a Constituição iraniana.
Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional e conselheiro de longa data de Khamenei, disse que o processo de transição já está em curso e prometeu a formação imediata do conselho de liderança interina. Em comunicado à TV estatal, Larijani sublinhou que não serão toleradas tentativas de divisão interna e convocou à unidade da nação iraniana.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou em entrevista à Al Jazeera que a escolha do novo líder supremo deverá ocorrer em “um ou dois dias”. A celeridade aparente na sucessão reflete a necessidade de restaurar coesão política e evitar vacância de poder num momento de extrema vulnerabilidade.
Este episódio altera a tectônica de poder no Oriente Médio. A eliminação repentina de uma figura de tal centralidade é um movimento decisivo no tabuleiro estratégico — cujas reverberações diplomáticas e militares ainda serão mapeadas nas próximas horas e dias. A era que se inicia exigirá dos atores internos e externos leituras precisas de riscos e oportunidades: preservar instituições, evitar escaladas incontroláveis e redesenhar, com cautela, os alicerces frágeis da diplomacia regional.
Do ponto de vista da estabilidade, a prioridade imediata é a consolidação do comando interno e a prevenção de fragmentações. Internacionalmente, a atenção recai sobre as reações de aliados regionais e blocos de influência; a situação exige, do ponto de vista da Realpolitik, movimentos calibrados que não transformem uma guinada no vértice iraniano em um conflito regional aberto.
Continuaremos a acompanhar a evolução dos acontecimentos, avaliando os próximos passos do conselho interino e a composição final da Assembleia dos Especialistas, que terá a responsabilidade constitucional de designar o novo líder supremo do Irã.






















