Guido Crosetto, ministro da Defesa italiano, declarou que os Estados Unidos alertaram Roma sobre o episódio relacionado ao Irã apenas quando o ataque já estava em andamento. Em entrevista ao jornal Repubblica, Crosetto afirmou que “nos avisaram quando avisaram os outros, com o ataque em curso” e destacou que o “contato com os Estados Unidos é constante, mesmo nestas horas”.
Perguntado sobre por que alguns parceiros europeus, como a Alemanha, teriam recebido alertas em momento diferente, o ministro manteve a linha da coordenação estreita com aliados, sem atribuir culpa pública a ninguém. Na sua explicação, a dinâmica do aviso foi alinhada ao momento em que Washington comunicou o conjunto dos parceiros.
Sobre a pressão da oposição e pedidos de demissão, Crosetto reagiu com firmeza. Disse não ter viajado “às escondidas”: por tratar‑se de uma questão familiar, optou por não utilizar escolta nem comboio, deslocando‑se por companhia aérea civil — procedimento que, segundo ele, adota há três anos, inclusive em ocasiões de risco elevado. “Nada de secreto. Pelo contrário, um exemplo virtuoso”, declarou, sublinhando que as críticas da oposição mais parecem manobras político‑públicas do que preocupações reais com sua segurança pessoal.
O ministro explicou ainda o motivo de sua presença no Golfo com a família: informações disponíveis inicialmente não indicavam uma aceleração do conflito. Quando percebeu que, ao contrário de incidentes anteriores, poderia haver um ataque também aos Emirados Árabes Unidos, decidiu trazer a família de volta. Eles deveriam ter partido pela manhã e chegariam sem problemas, mas por um compromisso institucional de Crosetto em Abu Dhabi embarcaram apenas à tarde. Segundo ele, o fato de terem ficado retidos não é motivo para politização, especialmente porque a reação que atingiu Dubai não havia sido prevista como consequência imediata.
Questionado sobre a possibilidade de míssil iraniano atingir a Europa — argumento levantado por figuras como John Bolton — o ministro avaliou que as capacidades balísticas do Irã foram significativamente reduzidas por ataques recentes desde junho e que hoje é difícil conhecer com precisão suas capacidades operacionais atuais. Até agora, a resposta iraniana concentrou‑se em Estados do Golfo e em Israel, ponderou Crosetto. Porém, fez um alerta estratégico: a União Europeia deve dotar‑se de uma capacidade de defesa crível contra ameaças de mísseis, que poderiam, em cenários futuros, vir não apenas do Irã, mas também de outros atores.
Da perspetiva geopolítica, a declaração do ministro representa um movimento tático no tabuleiro da diplomacia: reafirma laços transatlânticos, minimiza fissuras internas e convoca a Europa a erguer alicerces defensivos que hoje parecem frágeis. Em termos de estabilidade, a mensagem combina transparência operacional — “fomos avisados no momento do aviso” — com um apelo estratégico à cooperação e à preparação coletiva diante da tectônica de poder que se redesenha no Oriente Médio.
Como analista, observo que essas palavras procuram preservar a autoridade do ministério enquanto sinalizam a urgência de um redesenho das capacidades de defesa europeias. No xadrez internacional, é um movimento que tenta evitar desgaste interno e, simultaneamente, forçar um debate sobre as defesas conjuntas — um deslocamento de peças que visa fortalecer a posição italiana dentro do eixo transatlântico e europeu.






















