Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a mãe da chamada família no bosque, identificada como Catherine, disse em entrevista ao programa 60 Minutes Australia que não consegue voltar para a Austrália porque o cavalo da família, Lee, está muito velho para viajar. “Uma opção para nós é ficar na Europa, para recomeçar tudo do zero”, afirmou.
A entrevista, conduzida por Amelia Adams, traz declarações diretas do casal. O pai, Nathan, afirmou que “gostaria que nós ficássemos na Itália, se os nossos filhos estiverem em segurança” e acrescentou que as crianças “não merecem o que está acontecendo com elas”. Catherine adoptou tom mais cauteloso: não deseja permanecer na Itália a menos que esteja convencida de que os filhos não serão mais submetidos às dificuldades atuais. “Aceitei tudo. No primeiro mês obedeci; agora começo a defender meus filhos”, relatou, descrevendo episódios em que o filho, na casa-família, acorda à noite aos gritos, pedindo ajuda à mãe.
Os fatos de base que motivaram a intervenção judicial são conhecidos: os três filhos do casal — uma menina de oito anos e dois gêmeos de seis — viviam com os pais numa casa isolada no bosque de Palmoli, província de Chieti. Em novembro passado, após internação hospitalar por uma intoxicação por fungos, os pais foram denunciados por negligência educativa e o Tribunal para menores de L’Aquila determinou a retirada das crianças e a realização de uma perícia sobre a capacidade parental do casal.
Desde então, mães e filhos estão alojados numa estrutura de acolhimento protegida. Em relatório recente, os gestores dessa unidade solicitaram ao Tribunal a avaliação de transferência do núcleo para outra sede considerada mais adequada. O documento aponta dificuldades na aplicação das regras internas, problemas na organização dos espaços compartilhados e episódios de tensão que, segundo a equipe, não estariam em conformidade com os protocolos da comunidade.
Os responsáveis pela acolhida destacam preocupação com o bem-estar das crianças: teriam sido identificadas situações de desconforto que exigem aprofundamento e intervenções de proteção específicas. Em contraponto, a família e seus apoiadores atribuem as dificuldades ao contexto institucional, pedindo soluções que garantam maior continuidade afetiva e estabilidade para as crianças.
No bojo do processo, acirrou-se o confronto entre peritos. A consultora técnica indicada pelo Tribunal, Simona Ceccoli, reafirmou a confiança na psicóloga responsável pelas avaliações. Já a defesa dos pais havia solicitado a revogação dessa profissional, alegando dúvidas sobre a imparcialidade e criticando julgamentos divulgados em redes sociais.
Trata-se de um caso que combina elementos de proteção à infância, avaliação técnica de parentalidade e tensão entre serviços sociais e família — um raio-x do cotidiano institucional em regiões rurais. A instrução do processo seguirá com a perícia ordenada pelo Tribunal para menores de L’Aquila e com decisão futura sobre a localização adequada para a família enquanto se concluem as avaliações.
Seguiremos acompanhando a apuração e o desdobrar das medidas judiciais com rigor técnico e verificação dos documentos oficiais.






















